A escultura no Impressionismo é frequentemente descrita como o marco inicial da modernidade tridimensional por priorizar a sensação visual e a captura do instante efêmero. Essa estética foi fundamental para as vanguardas europeias do século XX, uma vez que abriu caminho para a liberdade técnica e conceitual de movimentos como o Futurismo e o Expressionismo.
Para o Enem e os vestibulares, compreender como o impressionismo das pinturas foi abordado nas esculturas a partir da “estética do inacabado” é essencial para compreender as obras e resolver questões de História da Arte.
Pensando nisso, o Portal Estratégia Vestibulares preparou este artigo para você entender melhor o que foi a escultura impressionista, suas principais características e seus representantes. Confira!
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O que foi o Impressionismo?
O Impressionismo foi um movimento artístico que emergiu na França na segunda metade do século XIX, consolidando-se durante a Belle Époque. O termo surgiu de forma irônica: o crítico de arte Louis Leroy, ao ver a obra “Impressão, nascer do sol”, de Claude Monet, usou a palavra para ridicularizar o que considerava uma falta de acabamento.
Porém, longe de se sentirem ofendidos, os artistas adotaram o nome, pois ele resumia a proposta do grupo: a prioridade da percepção sensorial (a impressão imediata) sobre a representação intelectual e o detalhamento minucioso da realidade.
Nesse sentido, o novo estilo impressionista rompeu com as regras rígidas das Academias de Artes, que exigiam o polimento técnico e a perfeição anatômica, adotando pinceladas rápidas e cores puras aplicadas diretamente na tela.
Além disso, os impressionistas abandonaram os ateliês para pintar ao ar livre, pois o foco não estava em temas grandiosos ou mitológicos, mas em capturar como a luz solar e a atmosfera alteravam as formas no cotidiano, transformando a pintura em um registro do instante efêmero.
O Impressionismo na escultura
Se o pintor impressionista usava pinceladas rápidas para criar a sensação de captura do movimento, o que fazia o escultor? A resposta está na modelagem irregular.
Isso significa que, em vez de alisar perfeitamente a superfície (como no Neoclassicismo), o artista deixa marcas de dedos, espátulas e relevos. O objetivo é fazer a luz “vibrar” na superfície da peça, criando a ilusão de movimento e atmosfera e dissolvendo os contornos rígidos. Assim, a obra deixa de ser um bloco estático para se tornar um objeto que reage à luz do ambiente.
Características da escultura impressionista
Nesse sentido, podemos listar que as principais características da escultura impressionista são:
- Contornos indefinidos;
- Jogo de luz e sombra causados pela modelagem rústica;
- Sensação de obra inacabada (non finito); e
- Diversidade de materiais.
Auguste Rodin
Auguste Rodin (1840–1917) foi um artista francês que transitou entre o Realismo e o Impressionismo. Ele foi profundamente inspirado pela arte tradicional, embora tenha rejeitado formas idealizadas, pois acreditava que esta deveria ser fiel à natureza.
Nesta lógica, ele foi responsável por introduzir novas técnicas de escultura e materiais diversos, o que incluía bronze, mármore, gesso e argila.
Se no Realismo Rodin surpreendeu os críticos com o rigor anatômico, como é observado na obra A Idade do Bronze, no Impressionismo ele revolucionou a escultura através de dois conceitos-chave: a fragmentação e o inacabado.
A estética de Rodin
Para Rodin, a parte podia conter a carga emocional do todo. Ao seguir essa lógica, uma mão ou uma cabeça isolada poderiam ser consideradas obras completas. Isso representou uma ruptura com a rigidez acadêmica na época, a qual prezava pela escultura de corpo inteiro, estática e idealizada.
O “Balzac”
O Monumento a Balzac é um exemplo da estética do inacabado (non finito) e foi uma das obras mais incompreendidas da carreira do artista. Essa escultura foi encomendada pela Sociedade de Homens de Letras da França para homenagear Balzac, um dos fundadores do Realismo literário.
Entretanto, a peça foi inicialmente rejeitada pela entidade, pois ela parecia um “bloco de neve” ou um “saco de batatas” para os críticos. Para a Sociedade, a escultura era disforme e não representava o Balzac, visto que a figura é retratada como uma massa de bronze sem detalhes minuciosos, vestindo um manto que sobe em direção ao rosto e cujos cabelos estão soltos e desarrumados.
Contudo, a intenção do artista não era esculpir a aparência do escritor com fidedignidade, mas priorizar sua presença e seu espírito criativo, um conceito tipicamente impressionista.
Principais obras de Rodin
Outras obras notórias de Auguste Rodin são:
- As Portas do Inferno (La Porte de l’Enfer): obra monumental baseada na Divina Comédia de Dante, na qual Rodin trabalhou por décadas e de onde surgiram várias de suas esculturas isoladas;
- O Pensador (Le Penseur): originalmente parte do conjunto As Portas do Inferno, tornou-se o símbolo universal da introspecção e do esforço intelectual;
- Os Burgueses de Calais (Les Bourgeois de Calais): monumento que rompe com a pose heroica tradicional das esculturas, mostrando o desespero e a angústia humana de forma realista;
- Danaide (Danäid): retrata a exaustão e o desespero da figura mitológica de uma das filhas de Dánao, condenada ao trabalho eterno de encher um vaso sem fundo. O cabelo da mulher parece fundir-se com o bloco de mármore, demonstrando a técnica do non finito;
- Mão de um Pianista (Grande Main de Pianiste): um estudo detalhado de uma mão em tensão, que transmite toda a emoção da música sem a necessidade de mostrar o músico ou o instrumento.

Medardo Rosso
Medardo Rosso (1858-1928) foi um escultor e fotógrafo italiano contemporâneo a Auguste Rodin. Diferentemente de Rodin, Rosso levou a lógica da pintura impressionista para a escultura de forma mais radical: ele buscava a desmaterialização. Para ele, nada era isolado, sendo o objeto e o espaço ao redor uma coisa só, fundidos pela luz e pela atmosfera.
A cera como protagonista
A cera era o material de preferência de Rosso, devido a sua translucidez semelhante à pele. Além disso, sua modelagem rápida permite capturar o frescor da ideia original e o flagrante da vida urbana antes que se perdessem. A cera, portanto, funcionava como o equivalente escultórico às pinceladas de Monet.
O ponto de vista único das esculturas de Medardo Rosso
Enquanto a escultura clássica é feita para ser “contornada” pelo espectador, Rosso esculpia suas obras para serem vistas de frente, a partir de um ponto de vista único e sob uma iluminação específica. Isso porque ele queria destacar o instante como uma lembrança fugaz.
Principais características
Assim, as características de destaque das esculturas de Rosso são a acentuação apenas de traços essenciais e a ausência de acabamento polido, o que favorece a presença de relevos irregulares na escultura. Essa superfície rugosa permite criar um jogo dinâmico de luz e sombra.
Uma das suas principais obras é Ecce Puer (Eis o Menino), em que o rosto da criança parece uma miragem que surge da massa de cera, com contornos tão borrados que a forma parece se dissolver diante dos olhos do observador.

Edgar Degas
Edgar Degas (1834-1917) foi um pintor e escultor francês, amplamente conhecido por suas pinturas de bailarinas. Mas ele se destacou também pela sua produção escultórica impressionista, realizada majoritariamente em cera e argila, que foram fundidas em bronze apenas após sua morte.
Degas também era um entusiasta da fotografia e essa paixão influenciou sua escultura. Para ele, a escultura tinha um significado diferente: ela era mecanização e anatomia em movimento. Ele não buscava a eternidade da estátua, mas o “instante congelado” de um corpo em ação. Logo, a escultura era tratada como um registro fotográfico tridimensional.
Técnica e inovação de materiais
As esculturas de Degas também apresentam uma textura rugosa e tátil, que não visava esconder o processo de criação e as marcas das ferramentas utilizadas.
Ademais, Edgar foi um dos primeiros a romper a barreira entre a arte e o objeto real ao utilizar materiais mistos. Para isso, ele frequentemente adicionava elementos reais às suas esculturas, como tecidos, fitas e cabelos, para intensificar a sensação de realidade e presença física, desafiando a frieza do mármore acadêmico.
Obra destaque de Edgar Degas
Sua escultura mais polêmica é a Pequena Bailarina de Catorze Anos. Na versão original em cera, Degas utilizou um corpete, um tutu de tule real e uma fita de cetim no cabelo. O intuito do artista era capturar a impressão “crua” de um ensaio de bastidores e expor a realidade por trás do espetáculo.
Na época, a peça causou escândalo por sua “feiura realista”, pois a bailarina não possuía um aspecto idealizado, mas era o retrato de uma jovem com traços considerados “degenerados” segundo os padrões da elite parisiense.
Naquele contexto, a fisionomia da menina — cuja modelo foi Marie van Goethem, filha de uma lavadeira e de um alfaiate — era associada às classes fadadas à desonra. Desse modo, a menina retratada com a postura tensa, queixo erguido, braços para trás e uma superfície rugosa, serviu como uma crítica latente à exploração no universo do balé do século XIX.

Neoclássico X Impressionista
Um dos pontos que pode ser abordado nas provas é a comparação entre as esculturas do Neoclassicismo (base do ensino nas Academias de Belas Artes durante o século XIX) e o Impressionismo. Veja o resumo do quadro abaixo com as principais diferenças entre esses estilos:
| Aspecto | Neoclassicismo | Impressionismo |
| Acabamento | Polido e idealizado: busca a perfeição do mármore, sem marcas de ferramentas. | Rugoso e gestual: valoriza a estética do inacabado (marcas de dedos e espátulas). |
| Ação da luz | Difusa: a luz flui suavemente, destacando o volume perfeito da obra. | Vibrante: a superfície irregular “quebra” a luz, criando contrastes dramáticos de luz e sombra. |
| Forma e linha | Fechada: contornos nítidos e precisos. A figura é isolada do espaço. | Aberta: contornos borrados. A figura parece se fundir com a atmosfera ao redor. |
| Concepção de tempo | Eternidade: representa o herói ou o mito em um tempo imóvel e solene. | Instantaneidade: captura o “snapshot”, o movimento efêmero e o flagrante cotidiano. |
| Foco do artista | Razão e harmonia: segue os padrões de beleza da Antiguidade Clássica. | Sensação e expressão: prioriza a impressão visual e a verdade emocional do instante. |
+ Veja também: Escultura renascentista: características, contexto histórico e mais
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