O teatro no Maneirismo e no Barroco foi marcado por uma ruptura com o estilo equilibrado e harmonioso do Renascimento, adquirindo um caráter mais dramático e emotivo. Tais movimentos artísticos surgem por volta do século XVI, na Europa, em meio a um cenário de instabilidade política, social e religiosa.
Para o Enem ou outros vestibulares, é importante compreender as principais características do teatro maneirista e barroco, com destaque para o seu papel no contexto histórico envolvido. Leia este artigo para ficar por dentro das informações de maior relevância sobre o tema e mandar bem nas provas. Vamos nessa?
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Contexto histórico do surgimento do Maneirismo
Entre os séculos XIV e XVI, a Europa vivenciava o Renascimento, movimento marcado pelo racionalismo, antropocentrismo e veneração à Antiguidade Clássica. No período pós-renascentista, a Europa passou por alguns episódios importantes, como a Reforma Protestante e o Saque de Roma, resultando em um clima de crises e incerteza.
Nessa conjuntura política e social, surgiu o Maneirismo. Esse movimento artístico representou uma ruptura com o modelo renascentista, substituindo a busca pelo “belo ideal” por composições mais tensas, dramáticas e exageradas, refletindo a instabilidade vivenciada no período.
Maneirismo no palco: a quebra da regra
Características do teatro no Maneirismo
O teatro maneirista foi marcado pela presença de personagens psicologicamente instáveis, enredos labirínticos e quebra das unidades clássicas (tempo, espaço e ação). Ele representou uma ruptura com o modelo clássico e serviu como uma transição para o teatro Barroco.
A Commedia dell’Arte
A Commedia dell’Arte surgiu como uma manifestação teatral popular, realizada em locais públicos, caracterizada pelo improviso e o uso de máscaras fixas. Os personagens eram exagerados, com características marcantes e padrões que reforçavam estereótipos.
O teatro barroco
Barroco e Contrarreforma
O Barroco teve início na Itália, no século XVII, após o Renascimento, sendo caracterizado pela extravagância, complexidade e forte carga emocional. O teatro barroco foi utilizado pela Igreja Católica, no contexto da Contrarreforma, como uma ferramenta para reconquistar fiéis após a Reforma Protestante.
Nesse cenário, eram realizadas peças teatrais com temática religiosa e moralizante, utilizando de ornamentações, efeitos especiais, luzes e trajes elaborados para combater as ideias protestantes.
Conceito de Theatrum Mundi
O teatro barroco propagava o conceito de Theatrum Mundi, uma metáfora que pode ser entendida como “o mundo é um palco”, onde a vida é uma peça, as pessoas interpretam papéis definidos por Deus, e a morte é o fim da peça. Nesse sentido, era ressaltada a efemeridade da vida e Deus era tido como espectador e diretor.
Temáticas principais do teatro barroco
As temáticas das peças barrocas eram caracterizadas por um conflito constante, focado no dualismo experimentado pelos seres humanos, como carne e espírito, céu e inferno, pecado e perdão, sagrado e profano.
Cenografia e maquinaria no teatro barroco
Diferentemente dos cenários estáticos do teatro renascentista, o teatro Barroco introduz máquinas complexas, como nuvens que descem, alçapões e trocas rápidas de cenário, para criar o “milagre” visual. O objetivo dessa maquinaria é o deslumbramento do público, causando efeito de ilusionismo e surpresa.
O teatro barroco valorizava a ilusão, especialmente por meio do trompe-l’œil, técnica que usava a perspectiva para fazer o palco parecer maior e infinito. Esse recurso expressa o gosto barroco pelo jogo entre aparência e realidade, em que o “parecer” engana o “ser”.
Os gigantes da dramaturgia
William Shakespeare
“Ser ou não ser, eis a questão” essa é uma frase muito conhecida escrita por William Shakespeare. Ele foi um dramaturgo inglês muito famoso, situado no período Elisabetano (1558-1603), cujas obras apresentavam, como aspecto marcante, o humanismo, explorando a complexidade da natureza humana. Suas tragédias trazem a dúvida existencial típica da crise maneirista e barroca.
Algumas peças de Shakespeare ganharam grande notoriedade, como Romeu e Julieta, Hamlet e Júlio César, o que mostra a importância desse dramaturgo, não apenas para o seu contexto social e histórico, como também para a atualidade.
Molière
O francês Jean-Baptiste Poquelin, apelidado de Molière, foi um ator, escritor e dramaturgo do século XVII, que ganhou destaque por suas comédias satíricas. Através de suas obras, Molière realizava críticas sociais, satirizando a corrupção e hipocrisia das classes dominantes, o que gerou protestos e perseguições contra o artista.
Algumas de suas principais peças foram: O Avarento; Os ciúmes do Barbouillé; O médico volante; As preciosas ridículas; e A Escola de Mulheres.
Espanha e o Século de Ouro
Durante o Século de Ouro espanhol, o teatro tornou-se um dos principais meios de expressão artística e ideológica. Inserido no contexto do Barroco, ele refletia uma sociedade marcada pela forte presença da Igreja Católica, pelo absolutismo monárquico e por rígidos códigos morais. As peças buscavam não apenas entreter, mas também reafirmar valores religiosos e sociais considerados fundamentais.
Lope de Vega e Calderón de la Barca
Dois dramaturgos se destacam nesse período: Lope de Vega e Pedro Calderón de la Barca. Ambos contribuíram para a consolidação do teatro espanhol, embora com estilos distintos. Enquanto Lope valorizava a ação dramática e o diálogo com o público, Calderón aprofundava questões filosóficas e morais.
Honra e religiosidade extrema
A honra aparece como eixo central do teatro espanhol barroco, associada à reputação familiar e à moral cristã. A religiosidade extrema reforça essa visão, apresentando a fé como fundamento da ordem social e das decisões humanas.
O teatro no Brasil Colônia
No Brasil Colônia, não havia teatros de pedra, mas a prática teatral era frequente. O teatro jesuítico, ligado à atuação de Padre José de Anchieta, foi usado como instrumento de catequese dos indígenas e de moralização dos colonos, unindo ensino religioso e encenação.
Além disso, o teatro acontecia nas ruas, igrejas e procissões, especialmente nas missas barrocas, marcadas por forte teatralidade. Destaca-se ainda Antônio José da Silva, o Judeu, autor de comédias de marionetes, cuja trajetória foi marcada pela perseguição da Inquisição.
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