A Revolução Sandinista, ocorrida entre as décadas de 1960 e 1970 e vitoriosa em 1979, foi um dos acontecimentos mais marcantes da história recente da América Latina. O movimento pôs fim à ditadura da família Somoza na Nicarágua, regime autoritário sustentado por forte desigualdade social e intensa influência dos Estados Unidos.
Com a liderança da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), diferentes setores da sociedade nicaraguense se mobilizaram contra o regime, transformando a luta política em um processo revolucionário de grande repercussão no contexto da Guerra Fria.
Compreender a Revolução Sandinista é indispensável para entender as disputas ideológicas e políticas da América Central no século XX. E foi pensando nisso que a Coruja preparou este guia contendo os principais tópicos relacionados ao assunto. Confira!
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Contexto histórico
A Revolução Sandinista tem suas raízes em um longo período de instabilidade política e intervenção estrangeira na Nicarágua. Desde o início do século XX, o país esteve sob forte influência dos Estados Unidos, interessados em garantir estabilidade política e proteger seus interesses econômicos e estratégicos na América Central.
A intervenção dos EUA e a criação da Guarda Nacional
Entre 1912 e 1933, os Estados Unidos mantiveram tropas militares na Nicarágua, interferindo diretamente na política interna do país. Nesse contexto, foi criada a Guarda Nacional, uma força armada treinada e financiada pelos norte-americanos, cuja função oficial era manter a ordem, mas que, na prática, tornou-se um instrumento de controle político e repressão.
A ascensão e consolidação da família Somoza (1937–1979)
Foi a partir desse aparato militar que Anastasio Somoza García assumiu o poder em 1937, inaugurando uma dinastia que governaria a Nicarágua por mais de quatro décadas. Seus sucessores, Luis Somoza Debayle e Anastasio Somoza Debayle, mantiveram o regime com amplo apoio político, militar e financeiro dos Estados Unidos, sobretudo durante o contexto da Guerra Fria.
O regime somozista caracterizou-se por corrupção sistêmica, repressão violenta aos opositores e concentração do controle econômico nas mãos da família governante. Grandes setores da economia foram apropriados pelos Somoza, aumentando as desigualdades sociais e gerando crescente insatisfação popular — elementos que contribuíram para o surgimento da oposição revolucionária.
A gênese e a vitória do movimento sandinista
A oposição organizada à ditadura começou a ganhar forma a partir da década de 1960, em meio ao agravamento das desigualdades sociais e à repressão política. Nesse contexto, surgiram grupos que defendiam a ruptura com o regime autoritário e a construção de um projeto nacional soberano.
A fundação da FSLN
Em 1961, foi criada a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), organização revolucionária inspirada no legado de Augusto César Sandino, líder da resistência nicaraguense contra a ocupação militar dos Estados Unidos nos anos 1920 e 1930. A FSLN também sofreu influência da Revolução Cubana, adotando estratégias de luta armada, e da Teologia da Libertação, que articulava cristianismo e justiça social.
O movimento reuniu estudantes, intelectuais, operários e camponeses, firmando-se como uma alternativa política capaz de mobilizar diferentes setores da sociedade contra a ditadura. Ao longo dos anos, a FSLN ampliou sua base de apoio e fortaleceu suas ações guerrilheiras e políticas.
A crise final da ditadura
Na década de 1970, o regime de Anastasio Somoza Debayle entrou em profunda crise. O terremoto de 1972, que devastou Manágua, ressaltou o caráter corrupto do governo, acusado de desviar recursos internacionais destinados à reconstrução do país.
Esse episódio acelerou a ruptura de setores da Igreja Católica, da classe média urbana e até de parcelas da burguesia, que passaram a se opor ao regime.
A situação se agravou ainda mais com o assassinato do jornalista Pedro Joaquín Chamorro, em 1978, um dos principais críticos da ditadura. O crime provocou forte comoção nacional e internacional, intensificando protestos, greves e o isolamento político do governo somozista.
A vitória de 1979
Diante do colapso do regime, a FSLN lançou, em 1979, uma ofensiva militar e popular em escala nacional, articulando ações armadas com mobilizações civis. Incapaz de conter o avanço revolucionário, Anastasio Somoza Debayle fugiu do país em julho de 1979, encerrando mais de quarenta anos de domínio da família Somoza.
A vitória da revolução resultou na instalação de uma Junta de Governo de Reconstrução Nacional, que marcou o início de uma nova fase na história da Nicarágua, pautada pela promessa de reformas sociais, soberania política e reconstrução institucional.
As reformas e o projeto sandinista de governo
Após a vitória da Revolução Sandinista, o novo governo iniciou um amplo programa de reformas políticas, sociais e econômicas, com o objetivo de reconstruir o país e romper com as estruturas herdadas da ditadura somozista. Essas medidas, contudo, colocaram a Nicarágua em rota de colisão com os Estados Unidos, sobretudo no contexto da Guerra Fria.
Reforma agrária e nacionalizações
Entre as principais ações, houve a desapropriação dos bens da família Somoza, que passaram ao controle do Estado. O governo sandinista também implementou uma reforma agrária, buscando redistribuir terras, fortalecer cooperativas e reduzir a concentração fundiária, além de promover nacionalizações em setores estratégicos da economia.
O foco dessas políticas era diminuir as desigualdades sociais e ao mesmo tempo ampliar o papel do Estado no desenvolvimento nacional.
Alinhamento internacional
Já no plano externo, o governo sandinista buscou apoio político e econômico de Cuba e da União Soviética, o que elevou a percepção, por parte de Washington, de que a Nicarágua se tornava um aliado do bloco socialista. Esse alinhamento reforçou a visão dos EUA de que o país representava uma ameaça comunista na América Central e acentuou as tensões diplomáticas e geopolíticas.
A reação dos EUA e a Guerra dos Contras
Durante a década de 1980, a Revolução Sandinista passou a ser vista pelos Estados Unidos como uma ameaça direta aos seus interesses na América Central. Sob a Doutrina Reagan, o governo norte-americano adotou uma postura abertamente anticomunista, classificando a FSLN como parte da expansão da influência socialista no Hemisfério Ocidental.
Assim, os EUA passaram a financiar, treinar e apoiar grupos armados de oposição, conhecidos como Contras, formados principalmente por ex-integrantes da Guarda Nacional somozista e outros adversários do regime sandinista. A atuação desses grupos tinha como objetivo desestabilizar o governo, sabotar a economia e desgastar politicamente a revolução.
A chamada Guerra dos Contras mergulhou a Nicarágua em um longo conflito armado, provocando milhares de mortes, agravando a crise econômica e limitando a capacidade do governo sandinista de implementar plenamente seu projeto social.
O fim da Revolução e seu legado
A guerra civil contra os Contras, somada ao bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos, provocou grave crise econômica, escassez de produtos e inflação elevada, o que enfraqueceu o apoio popular ao governo.
Diante desse cenário, as eleições de 1990 marcaram um ponto de inflexão. Daniel Ortega, então presidente, foi derrotado pela candidata da oposição, Violeta Chamorro, em um pleito que simbolizou o encerramento do ciclo revolucionário iniciado em 1979 e a busca por pacificação e normalização das relações internacionais.
Apesar do fim do período revolucionário, a Revolução Sandinista deixou seu legado na história da Nicarágua, principalmente no que diz respeito à mobilização popular, à afirmação da soberania nacional e ao debate sobre justiça social na América Latina. Anos depois, Daniel Ortega retornaria ao poder por vias eleitorais, destacando a permanência da influência sandinista no cenário político do país.
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