{"id":33866,"date":"2019-11-21T11:40:40","date_gmt":"2019-11-21T14:40:40","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.estrategiavestibulares.com.br\/?p=33866"},"modified":"2021-03-12T09:41:25","modified_gmt":"2021-03-12T12:41:25","slug":"recurso-unicamp-2020-portugues","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vestibulares.estrategia.com\/portal\/materias\/portugues\/recurso-unicamp-2020-portugues\/","title":{"rendered":"Recurso contra gabarito da Prova UNICAMP 2020 \u2013 Portugu\u00eas"},"content":{"rendered":"<p> A Comvest divulgou nesta ter&ccedil;a o gabarito oficial da prova. E, entre quest&otilde;es de portugu&ecirc;s, pelo menos a quest&atilde;o de 58 pode ter o gabarito anulado ou trocado. Por isso, escrevo esse artigo para explicar os meus argumentos para a quest&atilde;o.<div id=\"ez-toc-container\" class=\"ez-toc-v2_0_76 counter-hierarchy ez-toc-counter ez-toc-transparent ez-toc-container-direction\">\n<div class=\"ez-toc-title-container\"><p class=\"ez-toc-title\" style=\"cursor:inherit\">Navegue pelo conte\u00fado<\/p>\n<\/div><nav><ul class='ez-toc-list ez-toc-list-level-1 ' ><li class='ez-toc-page-1 ez-toc-heading-level-2'><a class=\"ez-toc-link ez-toc-heading-1\" href=\"https:\/\/vestibulares.estrategia.com\/portal\/materias\/portugues\/recurso-unicamp-2020-portugues\/#A-Questao-58\" >A Quest&atilde;o 58<\/a><\/li><li class='ez-toc-page-1 ez-toc-heading-level-2'><a class=\"ez-toc-link ez-toc-heading-2\" href=\"https:\/\/vestibulares.estrategia.com\/portal\/materias\/portugues\/recurso-unicamp-2020-portugues\/#Comentarios\" >Coment&aacute;rios<\/a><\/li><li class='ez-toc-page-1 ez-toc-heading-level-2'><a class=\"ez-toc-link ez-toc-heading-3\" href=\"https:\/\/vestibulares.estrategia.com\/portal\/materias\/portugues\/recurso-unicamp-2020-portugues\/#Recurso\" >Recurso<\/a><\/li><\/ul><\/nav><\/div>\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><span class=\"ez-toc-section\" id=\"A-Questao-58\"><\/span>A Quest&atilde;o 58<span class=\"ez-toc-section-end\"><\/span><\/h2><p><em>Ao descrever a rotina do protagonista Raimundo Silva, o narrador da Hist&oacute;ria do Cerco de Lisboa afirma que s&oacute; restaram fragmentos dos sonhos noturnos, &ldquo;imagens insensatas aonde a luz n&atilde;o chega, indevass&aacute;veis at&eacute; para os narradores, que as pessoas mal informadas acreditam terem todos os direitos e disporem de todas as chaves.&rdquo;<\/em><\/p><p><em>(Jos&eacute; Saramago, Hist&oacute;ria do Cerco de Lisboa. S&atilde;o Paulo: Companhia das Letras, 1989, p.122.)<\/em><\/p><p><em>Com base nesse excerto e relacionando-o ao conjunto do romance, &eacute; correto afirmar que o narrador &eacute;<\/em><\/p><p><em>a) polif&ocirc;nico, pois, ao considerar todos os pontos de vista das personagens, relativiza a vis&atilde;o de mundo e respeita a privacidade delas.<br>b) observador, pois dissimula sua avalia&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica da realidade ao se mostrar emp&aacute;tico ao mundo das personagens.<br>c) protagonista, pois, ao fazer parte da pr&oacute;pria narrativa, assemelha-se &agrave;s demais personagens e n&atilde;o pode duvidar dos protocolos necess&aacute;rios para contar a hist&oacute;ria de Portugal.<br>d) onisciente, pois simula ser tolerante com a pluralidade de vozes narrativas, mas &eacute; a singularidade de seu modo de narrar que produz a coes&atilde;o e a autonomia da narra&ccedil;&atilde;o.<\/em><\/p><h2 class=\"wp-block-heading\"><span class=\"ez-toc-section\" id=\"Comentarios\"><\/span>Coment&aacute;rios<span class=\"ez-toc-section-end\"><\/span><\/h2><p>Antes de adentrarmos no RECURSO propriamente dito, vamos relembrar a resolu&ccedil;&atilde;o desta quest&atilde;o, que j&aacute; estava bem detalhada.<\/p><p>Alternativa &ldquo;a&rdquo;: correta &ndash;\ngabarito. Sobre a estrutura do romance A Hist&oacute;ria do cerco de Lisboa, vamos\nresgatar o nosso PDF:<\/p><ul class=\"wp-block-list\"><li><strong>RELATO DENTRO DE UM RELATO. <\/strong>Este romance\nde Saramago enreda v&aacute;rias hist&oacute;rias em conjunto. As principais s&atilde;o a do cerco\nde Lisboa, epis&oacute;dio constitutivo da hist&oacute;ria de Portugal e a hist&oacute;ria mundana\nde Raimundo Benvindo Silva, e sua hist&oacute;ria de amor se entrela&ccedil;a com a de\nMogueime e Ouroana, os quais acabam por se tornar avatares de Raimundo e sua\nnamorada Sara Maria. No meio disso tudo, h&aacute; a hist&oacute;ria dos milagres de Santo\nAnt&ocirc;nio, h&aacute; par&oacute;dias b&iacute;blicas entro outros. Logo, h&aacute; constantemente <strong>troca de narradores<\/strong>. #DicadaProfa: utilizem um\nl&aacute;pis para grifar essa troca de narradores para n&atilde;o se perderem, ou ao menos\ntentem identificar onde ocorrem essas mudan&ccedil;as.<\/li><\/ul><p>Pelo fato de trabalhar com\na ideia de mais de um narrador, podemos considerar a sua estrutura como sendo\npolif&ocirc;nica, isto &eacute;, possuindo mais de uma voz. A vis&atilde;o de mundo &eacute;\nconstantemente relativizada, sobretudo por meio de explica&ccedil;&otilde;es\nfilos&oacute;ficas a partir\nde pensadores como Isaac Newton (3&ordf; lei: toda a&ccedil;&atilde;o tem uma rea&ccedil;&atilde;o); a conting&ecirc;ncia\ndo mundo de Leibiniz e a prova cosmol&oacute;gica de Kant como explica&ccedil;&otilde;es do universo. Viver &eacute; quase\nimposs&iacute;vel, dado que tudo est&aacute; numa tal contradan&ccedil;a que seria muito improv&aacute;vel\nque os fatos acontecessem. <\/p><p>E\nainda a folha em branco &eacute; comparada ao que o fil&oacute;sofo Locke em sua obra <em>Sobre\no entendimento humano<\/em> chamava de: &ldquo;t&aacute;bua rasa, para falar com plena\npropriedade de linguagem&rdquo; (SARAMAGO, 2013, p. 122). <\/p><p>Quanto ao narrador respeitar a privacidade das personagens, ele nem o seria capaz, uma vez que a ideia do todo\/do conjunto n&atilde;o &eacute; dada nem &agrave; personagem nem ao narrador, j&aacute; que tudo pode ser relativizado. Isso tamb&eacute;m pode ser constatado a partir do trecho: &ldquo;imagens insensatas aonde a luz n&atilde;o chega, indevass&aacute;veis at&eacute; para os narradores, que as pessoas mal informadas acreditam terem todos os direitos e disporem de todas as chaves.&rdquo; (grifo meu). Dessa forma, qualquer no&ccedil;&atilde;o de totalidade seria uma ilus&atilde;o.<\/p><p>Alternativa &ldquo;b&rdquo;: incorreta. Ele n&atilde;o dissimula avalia&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica (n&atilde;o toma partido de D. Afonso Henriques, por exemplo, pelo contr&aacute;rio, fala que o rei n&atilde;o tinha dom da eloqu&ecirc;ncia, sendo ofuscado por vozes mais fortes na &eacute;poca, como a de Mogueime) nem comenta sobre a pol&iacute;tica da modernidade no outro relato. Por outro lado, nem sempre se mostra emp&aacute;tico com as personagens, mas sim, constantemente ir&ocirc;nico.<\/p><p>Alternativa &ldquo;c&rdquo;: incorreta.\nH&aacute; mais de um narrador no romance e n&atilde;o podemos afirmar que ele seja narrador\nprotagonista, pois, por exemplo, Raimundo vivia na modernidade (de uma &eacute;poca\ndesconhecida, na realidade, pois n&atilde;o &eacute; exatamente especificada no romance;\napenas sabemos que se trata da era moderna por alus&otilde;es a inven&ccedil;&otilde;es como\ntelefone, carro, marca texto, cart&atilde;o de cr&eacute;dito etc.) e n&atilde;o em 1.147 (data do\ncerco, quando se passa o outro relato). <\/p><p>Alternativa &ldquo;d&rdquo;: incorreta. O narrador n&atilde;o &eacute;\nonisciente, pois n&atilde;o sabe de tudo, h&aacute; fatos que, mesmo para ele, s&atilde;o\nindevass&aacute;veis, isto &eacute;, inacess&iacute;veis, inalter&aacute;veis. E a pluralidade de\nnarradores &eacute; que cria a consequente pluralidade de vozes.<\/p><p><strong>Gabarito: A<\/strong><\/p><h2 class=\"wp-block-heading\"><span class=\"ez-toc-section\" id=\"Recurso\"><\/span><strong>Recurso<\/strong><span class=\"ez-toc-section-end\"><\/span><\/h2><p>A UNICAMP declarou em seu\ngabarito oficial que a resposta era D, mas continuo sustentando que &eacute; a A. Trata-se\nde um romance extremamente complexo, de forma que acredito que quanto mais\ninforma&ccedil;&atilde;o eu disponibilizar para ajudar voc&ecirc;s, alunos, melhor.<\/p><p>H&aacute; no m&iacute;nimo 3\nnarradores em <em>Hist&oacute;ria do cerco de Lisboa<\/em>. No pr&oacute;prio trecho utilizado\npela quest&atilde;o, h&aacute; a alus&atilde;o a &ldquo;os narradores&rdquo;, <strong>no plural<\/strong>. S&atilde;o estes: <\/p><ol class=\"wp-block-list\"><li>o narrador do pr&oacute;prio Saramago; <\/li><li>o narrador do\nescritor an&ocirc;nimo dentro do livro (que &eacute; historiador e escreve um romance\nhist&oacute;rico); e<\/li><li>o narrador do revisor Raimundo, que da noite para o\ndia passa de revisor para o escritor, cujo narrador consegue ser ainda mais prolixo\ndo que o do pr&oacute;prio Saramago (h&aacute; alguns pequenos detalhes na narra&ccedil;&atilde;o que\ntornam poss&iacute;vel essa distin&ccedil;&atilde;o).<\/li><\/ol><p>H&aacute; ainda mais uma hip&oacute;tese (apenas\numa conjectura): que o escritor dentro do romance &eacute; o pr&oacute;prio Saramago, uma vez\nque aquele n&atilde;o tem nome. De qualquer forma, ainda que isso fosse verdade,\nhaveria ao menos 2 narradores: o do Saramago (o mesmo que o do escritor\nhistoriador) e o de Raimundo.<\/p><p>Assim, configuramos que o narrador de Saramago &eacute; <strong>polif&ocirc;nico<\/strong>,\numa vez que no romance &eacute; explorado o desenvolvimento de v&aacute;rias vozes, conforme\na an&aacute;lise detalhada a seguir.<\/p><p>A quest&atilde;o &eacute; a seguinte: o narrador n&atilde;o poderia ser onisciente, porque onisciente &eacute; Deus, isto &eacute;, uno e indivis&iacute;vel, e h&aacute; divis&atilde;o de narradores em <em>Hist&oacute;ria do cerco de Lisboa<\/em>.<\/p><p>A alternativa A est&aacute; mais pr&oacute;xima da verdade, pois o narrador d&aacute; margem a v&aacute;rias vozes, uma vez que no romance h&aacute; relatos dentro de relatos, ele relativiza sim pontos de vista e inclusive explica seus m&eacute;todos filos&oacute;ficos ao fazer isso, e por fim ele respeita a autonomia\/privacidade das personagens, pois tem consci&ecirc;ncia da sua limita&ccedil;&atilde;o e que ele n&atilde;o tem a vis&atilde;o do todo, ningu&eacute;m tem.<\/p><p>Se tivesse, seria narrador onisciente como quer a alternativa D, mas o pr&oacute;prio trecho da quest&atilde;o diz o contr&aacute;rio: h&aacute; fatos que s&atilde;o indevass&aacute;veis, isto &eacute;, impenetr&aacute;veis, inalcan&ccedil;&aacute;veis, mesmo para os mais espertos dos narradores. <\/p><p>O narrador n&atilde;o tem outra op&ccedil;&atilde;o a n&atilde;o ser deixar as personagens na sua privacidade, pois a ele n&atilde;o &eacute; dado acesso ao todo. Nem a rela&ccedil;&atilde;o sexual entre Raimundo e Maria Sara &eacute; descrita com detalhes, tudo &eacute; vago e <strong>o livro termina com a met&aacute;fora da sombra<\/strong>.<\/p><p>Tudo isso corrobora com a tese principal do romance: aquele que det&eacute;m uma &uacute;nica vers&atilde;o da hist&oacute;ria (narrador onisciente) estaria errado, pois desconhecemos tudo, at&eacute; mesmo aquilo que mais julgamos conhecer, como &eacute; o caso da Hist&oacute;ria Oficial. <\/p><p>Ainda que o trecho da quest&atilde;o estivesse falando do\nprimeiro narrador, pois a vida sendo narrada era a do revisor Raimundo Silva,\nlogo, o relato pertenceria ao primeiro narrador do Saramago ent&atilde;o, a <strong>tipologia\nda quest&atilde;o<\/strong> da UNICAMP cobrava a rela&ccedil;&atilde;o do trecho com o todo do romance, o\nque nos permite levar os outros narradores em considera&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m.<\/p><p>Ainda em rela&ccedil;&atilde;o a essa tipologia, as alternativas se dividiam em 2 partes: uma informa&ccedil;&atilde;o direta e a sua respectiva explica&ccedil;&atilde;o. Eu apoio que a alternativa D j&aacute; se excluiria pela primeira parte; por&eacute;m, podemos ainda analisar a segunda.<\/p><p>O narrador n&atilde;o &eacute; dissimulado, ele n&atilde;o simula exatamente ser &ldquo;tolerante com a pluralidade de vozes narrativas&rdquo;, <strong>&eacute; ele o pr&oacute;prio causador dessas pluralidades<\/strong>, e vale-se de m&eacute;todos diferentes para dar voz &agrave;s personagens, desde o discurso direto (que em Saramago &eacute; introduzido por v&iacute;rgulas) at&eacute; o discurso indireto livre. <\/p><p>Al&eacute;m disso, n&atilde;o &ldquo;tolerante&rdquo; quer dizer segundo o\nDicion&aacute;rio Aulete Digital: que releva e aceita as falhas alheias; indulgente; que\naceita e respeita ideias ou comportamentos distintos dos seus. Isso n&atilde;o &eacute;\nverdadeiro nem se aplica a todos os narradores, uma vez que o narrador de\nSaramago (se &eacute; apenas este o que est&aacute; sendo considerado na alternativa D) &eacute;\nextremamente cr&iacute;tico e julgador, por exemplo, da religi&atilde;o. <\/p><p>Por exemplo: quando um mu&ccedil;ulmano ajuda o almuadem a subir para &ldquo;ver&rdquo; melhor o espet&aacute;culo do cerco de Lisboa, quando no fundo o almuadem &eacute; cego e n&atilde;o pode ver, constituindo isso num humor negro. A personagem da narrativa de Saramago diz:<\/p><p>&ldquo;N&atilde;o importa, vem comigo &agrave; muralha, eu digo-te tudo, a formosas atitudes como esta costum&aacute;vamos n&oacute;s chamar <strong>caridade crist&atilde;<\/strong>, o que uma vez mais vem demonstrar quanto as palavras andam ideologicamente desorientadas&rdquo; (grifo meu), embora n&atilde;o seja crist&atilde;o, mas sim mu&ccedil;ulmano. Isso n&atilde;o &eacute; ser tolerante, mas tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; desrespeitar, apenas se trata de uma cr&iacute;tica a religi&atilde;o, uma vez que este &eacute; um tra&ccedil;o autobiogr&aacute;fico: Saramago era ateu.<\/p><p>Sobre a segunda parte da alternativa D, a alternativa\ndizia assim: &ldquo;mas &eacute; a singularidade de <strong>seu<\/strong> modo de narrar que\nproduz a coes&atilde;o e a autonomia da narra&ccedil;&atilde;o&rdquo;. O pronome possessivo marcado nos\nfaz inferir que essa singularidade diz respeito apenas ao narrador de Saramago.<\/p><p>Dizer que a singularidade de apenas UM dos narradores &eacute; o que permite &ldquo;a coes&atilde;o e a autonomia da narra&ccedil;&atilde;o&rdquo; &eacute; reduzir a grandeza e a complexidade da obra a um s&oacute; narrador, ao passo que no fundo o romance &eacute; caleidosc&oacute;pico e um dos mecanismos que fazem manter a coer&ecirc;ncia interna &eacute; justamente esse m&eacute;todo el&iacute;ptico: a repeti&ccedil;&atilde;o de temas, formas e motivos com varia&ccedil;&otilde;es, em maior ou menor grau.<\/p><p>V&aacute;rias obras do s&eacute;culo XX se valem desse m&eacute;todo, n&atilde;o s&oacute; a de Saramago. Para ficar em apenas alguns exemplos posso citar <em>Finnegans Wake<\/em> de James Joyce e <em>Jos&eacute; e seus irm&atilde;os<\/em> de Thomas Mann.<\/p><p>Isso enquadra Jos&eacute; Saramago como parte integrante do Modernismo, adequando-se ao seu m&eacute;todo inclusive, aderindo ao <strong>experimentalismo<\/strong>, muito mais do que respeitando o narrador onisciente da literatura tradicional.<\/p><h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>An&aacute;lise do trecho completo<\/strong><\/h3><p>O trecho completo, ao contr&aacute;rio de outros par&aacute;grafos enormes de Saramago, era surpreendentemente curto; logo, iremos analis&aacute;-lo por completo.<\/p><p><em>Cometido este gesto not&aacute;vel, os passos seguintes repetiram a rotina habitual, pela &uacute;ltima vez referida aqui, salvo ocorrendo variantes significativas, e que foi barbear-se, banhar-se, alimentar-se, e depois abrir a janela para arejar a casa at&eacute; aos seus recessos profundos, a cama, por exemplo, com os len&ccedil;&oacute;is plenamente expostos e j&aacute; frios, sem vest&iacute;gios da inquieta ins&oacute;nia, menos ainda dos sonhos que o exausto sono acabou por trazer, <\/em><strong><em>fragmentos s&oacute;, imagens insensatas aonde a luz n&atilde;o chega, indevass&aacute;veis at&eacute; para os narradores, que as pessoas mal informadas acreditam terem todos os direitos e disporem de todas as chaves<\/em><\/strong><em>, se assim fosse acabava-se uma das boas coisas que o mundo ainda tem, a privacidade, o mist&eacute;rio das personagens.<\/em><\/p><p><em>O tempo continua chuvoso, por&eacute;m n&atilde;o t&atilde;o diluvianamente como ontem, a temperatura parece ter descido, feche-se pois a janela, tanto mais que a atmosfera da casa j&aacute; se purificou com o sopro revigorante que vinha do lado da barra. S&atilde;o horas de trabalhar (SARAMAGO, 2013, p. 121-122, grifo meu).<\/em><\/p><p>Em destaque, est&aacute; o trecho cobrado na quest&atilde;o. O &ldquo;gesto not&aacute;vel&rdquo; &eacute; o fato de que Raimundo Silva joga na pia a tinta com que pintava seus cabelos, tentando enganar a passagem do tempo e a pr&oacute;pria velhice.<\/p><p>Isso ocorre ap&oacute;s ele ir pessoalmente &agrave; editora, depois de ter cometido o erro de colocar um N&atilde;o na Hist&oacute;ria Oficial, onde n&atilde;o havia, criando a&iacute; um paradoxo. O trecho &ldquo;salvo ocorrendo variantes significativas&rdquo; comprova a <strong>repeti&ccedil;&atilde;o com altera&ccedil;&atilde;o<\/strong>.<\/p><p>O narrador narra com detalhes a rotina de Raimundo, <strong>mas intencionalmente opta por n&atilde;o descrever seus sonhos<\/strong>, pois tem consci&ecirc;ncia de seu limite e sabe que l&aacute; ele n&atilde;o chega. Ora, nem o narrador sabe o que sonhara Raimundo.<\/p><p>Esse dado n&atilde;o &eacute; fornecido ao leitor, nem est&aacute; ao alcance da sabedoria do narrador, que N&Atilde;O &eacute; onisciente. E todas as pessoas que pensam saber tudo e ter a chave para todas as respostas s&atilde;o julgadas pelo pr&oacute;prio narrador de Saramago como sendo &ldquo;mal informadas&rdquo;. Sabe de nada, inocentes.<\/p><p>Logo depois, ele defende a privacidade do personagem tamb&eacute;m propositalmente, para disfar&ccedil;ar a sua pr&oacute;pria ignor&acirc;ncia. A autonomia da personagem n&atilde;o &eacute; mantida espontaneamente, mas porque nem tudo sobre ela &eacute; conhecido.<\/p><p>Sobre o tempo e as coisas objetivas o narrador narra tudo com pormenores; mas o ser humano, esse &eacute; indevass&aacute;vel &ndash; &eacute; um mist&eacute;rio. Narr&aacute;-lo por completo beira o imposs&iacute;vel e tudo o que faz o narrador &eacute; uma tentativa.<\/p><p>O narrador de Raimundo Silva, por exemplo, opta sempre pelo meio-termo: talvez estivesse ele o mais pr&oacute;ximo da verdade. Como &eacute; dito em <em>Hist&oacute;ria do cerco de Lisboa<\/em>: &ldquo;Enfim viver n&atilde;o &eacute; apenas dif&iacute;cil, &eacute; quase imposs&iacute;vel&rdquo;.<\/p><h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Cr&iacute;tica liter&aacute;ria<\/strong><\/h3><p>Para apoiar a minha decis&atilde;o,\nselecionei trechos da cr&iacute;tica liter&aacute;ria que explicam conceitos da teoria\nliter&aacute;ria, sendo estes: ponto de vista (ou perspectiva); polifonia (alternativa\nA) e narrador onisciente (alternativa D).<\/p><ul class=\"wp-block-list\"><li><strong>Foco narrativo<\/strong>:\nproblema t&eacute;cnico da fic&ccedil;&atilde;o que sup&otilde;e questionar &ldquo;quem narra?&rdquo;,\n&ldquo;como?&rdquo;, &ldquo;de que &acirc;ngulo?&rdquo;. Para muitos &eacute; sin&ocirc;nimo de ponto\nde vista, perspectiva, situa&ccedil;&atilde;o narrativa ou mesmo narrador. O termo ficou\nconhecido a partir do livro de Cleanth Brooks e R. P. Warren, <em>Understanding\nFiction,<\/em> de 1943, onde aparece, em ingl&ecirc;s como <em>focus of narration<\/em>.<\/li><\/ul><p>Fonte bibliogr&aacute;fica: CHIAPPINI, Ligia. <strong>O\nfoco narrativo<\/strong>. 10. ed. S&atilde;o Paulo: &Aacute;tica, <em>Digital source<\/em>. Dispon&iacute;vel\nem: https:\/\/tinyurl.com\/y5vcupmk. Acesso em: 20 nov. 2019.<\/p><ul class=\"wp-block-list\"><li><strong>Polifonia<\/strong>: o\ncr&iacute;tico liter&aacute;rio russo Mikhail Bakhtin defendia que Dostoievski fora o\ninventor do romance polif&ocirc;nico. Este conceito diz respeito ao seguinte: &ldquo;Nos\nromances de Dostoievski tudo se reduz ao di&aacute;logo, &agrave; contraposi&ccedil;&atilde;o dial&oacute;gica\nenquanto centro. Tudo &eacute; meio, o di&aacute;logo &eacute; o fim. Uma s&oacute; voz nada termina e nada\nresolve. Duas vozes s&atilde;o o m&iacute;nimo de vida, o m&iacute;nimo de exist&ecirc;ncia&rdquo; (BAKHTIN,\n1981, p. 223 apud STALUZZA, 2011, p. 66). Isso pressup&otilde;e dizer que no universo\nliter&aacute;rio do romance polif&ocirc;nico v&aacute;rias vozes falam simultaneamente.<\/li><\/ul><p>Fonte bibliogr&aacute;fica: STALUZZA, Greniss&aacute;. <strong>An&aacute;lise do\ndiscurso liter&aacute;rio<\/strong>: das vozes de Homero em Joyce. Curitiba: Appris, 2012.<\/p><ul class=\"wp-block-list\"><li><strong>Narrador onisciente<\/strong>:\n&ldquo;O primeiro foco narrativo a considerar &eacute; o do escritor\/narrador onisciente:\ndiminu&iacute;da a dist&acirc;ncia entre o autor e o narrador, de modo a estabelecer-se a\nfus&atilde;o entre ambos, o ponto de vista onisciente &eacute; aquele em que o\nautor\/narrador, qual um deus, tudo conhece da hist&oacute;ria e tudo pode\nesquadrinhar, inclusive a vida mental das personagens&rdquo; (MOIS&Eacute;S, 2004, p. 365).<\/li><\/ul><p>Fonte\nbibliogr&aacute;fica: MOIS&Eacute;S, Massaud. <strong>Dicion&aacute;rio de termos liter&aacute;rios<\/strong>. S&atilde;o\nPaulo: Cultrix, 2004.<\/p><h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>An&aacute;lise de outro trecho da obra<\/strong><\/h3><p>Para ilustrar novamente a complexidade narrativa e a polifonia no romance de Jos&eacute; Saramago, e para tornar mais clara a quest&atilde;o, analisei mais um trecho, para al&eacute;m daquele que caiu na quest&atilde;o.<\/p><p><strong>[NARRADOR DO ESCRITOR]<\/strong> A cidade murmura as\nora&ccedil;&otilde;es, o sol apontou e ilumina as a&ccedil;oteias, n&atilde;o tarda que nos p&aacute;tios apare&ccedil;am\nos moradores. A alm&aacute;dena est&aacute; em plena luz. O almuadem &eacute; cego.<\/p><p><strong>[NARRADOR DE SARAMAGO]<\/strong> N&atilde;o o tem descrito\nassim <strong>o historiador<\/strong> no seu livro. Apenas que o muezim subiu ao minarete\ne dali convocou os fi&eacute;is &agrave; ora&ccedil;&atilde;o na mesquita, sem rigores de ocasi&atilde;o, se era manh&atilde;\nou meio-dia, ou se estava a p&ocirc;r-se o sol, porque certamente em sua opini&atilde;o, o mi&uacute;do\npormenor n&atilde;o interessaria &agrave; hist&oacute;ria, somente que ficasse o leitor sabendo que<strong>\no autor<\/strong> conhecia das coisas daquele tempo o suficiente para fazer delas\nrespons&aacute;vel men&ccedil;&atilde;o. (SARAMAGO, 2013, p. 19, grifos meus).<\/p><p>Com esse trecho, o choque &eacute; claro: em um momento, h&aacute; o romance hist&oacute;rico do escritor historiador; em seguida, h&aacute; a intrus&atilde;o do narrador de Saramago, o que &eacute; identific&aacute;vel por meio das passagens grifadas.<\/p><p class=\"has-text-align-center has-luminous-vivid-amber-background-color has-background has-medium-font-size\"><a href=\"https:\/\/www.estrategiavestibulares.com.br\/vestibulares\/unicamp\/\" target=\"_blank\" aria-label=\"CURSOS PARA UNICAMP (abre numa nova aba)\">CURSOS PARA UNICAMP<\/a><\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A Comvest divulgou nesta ter&ccedil;a o gabarito oficial da prova. 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