Questão
Universidade Estadual de Goiás - UEG
2025
Fase Única
VER HISTÓRICO DE RESPOSTAS
4000304098
Em 2019, Zahi Hawass [arqueólogo e ex-Ministro de Antiguidades do Egito] relançou sua campanha de restituição [de peças egípcias em museus europeus], perguntando aos diretores dos Museus Estatais de Berlim, do Museu Britânico e do Museu do Louvre: “como você pode recusar emprestar estes itens ao novo Grande Museu Egípcio, quando você levou tantas antiguidades do Egito?” [...]
Todos os três museus recusaram seus pedidos. [...] Um porta-voz do Museu Britânico diz: “No Museu Britânico, os visitantes podem ver a Pedra Roseta [...] dentro do contexto mais amplo de outras culturas antigas, incluindo seus contemporâneos como Roma, Atenas e Pérsia, permitindo que o público explore este vasto arco da história [...].”
Reportagem não assinada. 22 ago. 2022. Disponível em: https://dasartes.com.br/de-arte-a-z/ex-ministro-de-antiguidades-egipcio-pede-devolucao-de-pecas-a-museus-europeus. Acesso em: 10 out. 2024.

O Assojaba Tupinambá (Manto Tupinambá) é uma vestimenta sagrada, utilizada em rituais e composta por penas de aves nativas. A preservação do território e de sua natureza garante que a colheita das penas seja feita de forma respeitosa e também protege a vida que flui no Manto. A indumentária emplumada representa para o povo Tupinambá uma confluência entre a dimensão espiritual (os Encantados e os antepassados), o meio ambiente, a economia e a agroecologia e a transmissão de saberes.
GONÇALVES, Ana Carolyna. O Manto Tupinambá – Espaço do Conhecimento UFMG, 08 ago. 2023.
Disponível em: https://www.ufmg.br/espacodoconhecimento/o-manto-tupinamba/. Acesso em: 19 set. 2024.

No século XVII, vários elementos vivos das culturas indígenas foram levados para a Europa. Contudo, a devolução de artefatos expatriados durante a colonização aos seus países de origem tem sido uma prática recorrente no mundo todo. Em 2024, um Manto Tupinambá de quase 400 anos retornou ao Brasil, após permanecer no acervo do Museu Nacional da Dinamarca por 300 anos.
Fonte: Museu Nacional da Dinamarca / Divulgação
Fonte: Busto de Nefertiti / Neues Museum (Berlim)

A partir das informações apresentadas, verifica-se que
A
apesar da necessidade de reparação histórica, o principal entrave para a devolução de peças arqueológicas para seus países de origem está na incapacidade de gestão do patrimônio e na impossibilidade de acomodar peças de valor inestimável, como é o caso do Egito.
B
a repatriação do Manto Tupinambá simboliza uma reconexão entre o patrimônio sagrado de um povo ancestral e a valorização do patrimônio cultural brasileiro.
C
à despeito dos efeitos da colonização, não se pode desconsiderar a importância do “projeto civilizatório”, afinal os indígenas não tinham “nem fé, nem lei e nem rei”, segundo o cronista Pero Magalhães de Gândavo.
D
as Ritxoko Iny-Karajá e o Manto Tupinambá são muito cobiçados por museus do mundo todo, logo, a apropriação desses artefatos como meras peças de museus não impacta negativamente povos indígenas e suas culturas.
E
a espoliação material e imaterial dos imperialismos dos séculos XVI ao XIX preservou inúmeros artefatos históricos nos próprios países expropriados, prova disso é o Museu do Vaticano e sua preservação da memória mundial.