À mesma d. Ângela
Anjo no nome, Angélica na cara!
Isso é ser flor, e Anjo juntamente:
Ser Angélica flor, e Anjo florente,
Em quem, senão em vós, se uniformara:
Quem vira uma tal flor, que a não cortara,
De verde pé, da rama fluorescente;
E quem um Anjo vira tão luzente,
Que por seu Deus o não idolatrara?
Se pois como Anjo sois dos meus altares,
Fôreis o meu Custódio, e a minha guarda,
Livrara eu de diabólicos azares.
Mas vejo, que por bela, e por galharda,
Posto que os Anjos nunca dão pesares,
Sois Anjo, que me tenta, e não me guarda.
(Custódio – que guarda, que protege)
Foi um poeta angustiado em face à vida, à religião e ao amor. Na poesia lírico-amorosa, sua amada é uma mulher bela sempre comparada aos elementos da natureza. O amor que o poeta sente desperta os desejos corporais, mas ele é assaltado pela culpa e pela angústia do pecado.
Aponte a opção que traz o autor do soneto e o movimento literário a que pertenceu.