Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
CAMÕES, Luís Vaz de. Camões: sonetos. Saraiva. Portugal, Publ. Europa-América, 1975. p. 129.
No poema anterior, há vários termos distintos que procuram uma definição para o amor. Cada um desses termos, invariavelmente, vem seguido de uma qualificação que