Questão
Universidade de Pernambuco - UPE
2009
Fase Única
VER HISTÓRICO DE RESPOSTAS
4000139365
Até que ponto existimos a partir do momento em que falamos?

Desde que nascemos, estamos mergulhados no mundo da linguagem. Da língua pertencente ao meio em que vivemos. Crescemos dentro da nossa família ouvindo nossos pais. Nosso pensamento, a forma de entendermos as coisas, o mundo, tudo começa, então, a ter sentido pelas palavras, pela linguagem. Construímos, na consciência, uma espécie de "biblioteca" onde depositamos tudo o que é ouvido e entendido. Guardamos idéias, significados, palavras e, com essa "base de dados", nos expressamos e criamos novos sentidos. É como se selecionássemos - pegando na prateleira da biblioteca - palavra por palavra, criando e recriando estruturas de entendimento para a comunicação.

Por que falamos? Por que o homem, diferente dos outros animais, fala? Por que somente nós temos essa faculdade e, até onde se sabe, já impressa em nossa consciência? Poucas pessoas, acredito, têm parado para analisar essas questões. Pesquisas e trabalhos realizados nesse sentido procuram, ainda, respostas precisas para a pergunta "por que o homem fala”. Levando-se em conta tais pesquisas, percebemos que, em um determinado momento da humanidade, o homem passou a falar. É interessante pensar nessas questões, porque nos perguntamos a partir de quê ou do quê o homem descobriu que possuía, além de outras, a faculdade da linguagem.

Não temos relatos, se é que eles existem, que nos forneçam dados sobre quando o homem começou a falar. Simplesmente falamos. Ao acompanharmos o crescimento de uma criança, notamos como a necessidade de falar é presente na vida humana... O quanto falar faz de nós parte do mundo...! Algumas pesquisas nessa área mostram que, no caso da criança, a primeira palavra murmurada já representa seu ingresso no universo da linguagem e o abandono do estado da natureza. Assim, pode-se dizer que é a linguagem que possibilita a tomada de consciência do indivíduo como entidade distinta. Outra questão que intriga o pensamento e os mistérios da vida é por que falar, viver em sociedade com seres falantes, é quase uma necessidade de sobrevivência. Imaginemos, eu, você, todos nós, sem nos comunicar, sem trocar uma palavra sequer com qualquer pessoa que seja durante toda a vida? Provavelmente morreríamos de angústia...De solidão.

Para a Professora Ana Lúcia C. R. Novelli, autora que trata dessas questões, "a língua são os primeiros traços de identificação da humanidade no homem. Ao se perceber como habitante da linguagem, o homem rompe com o estado inicial da natureza, na qual estão inseridos os animais e os próprios homens ao nascerem, e ingressa no estado de cultura resultante da organização social e do partilhamento da vida em comum”. Segundo essa autora, o homem difere dos animais a partir do momento em que percebe a necessidade do uso da linguagem. Na linguagem e pela linguagem é que "o homem vai se constituir como sujeito. É desta forma que a linguagem, ao viabilizar a relação das pessoas, vai permitir o retorno sobre si como individualidade distinta possibilitando, então, a comunicação inter-humana”. Ou, ainda, "é exatamente em torno da linguagem que o pensamento, a consciência e a reflexão se articulam e possibilitam a organização do mundo pelos homens que, por isso, se tornam capazes de estabelecer uma relação de autonomia e a sua própria vivência nesse mundo organizado”.

(Luciana Arruda. http://kplus.cosmo.com.br/materia.asp?co=199&rv=Literatura. Acessado em 14/08/2008. Adaptado).

Observe a concordância verbal pela qual o autor optou em: “a língua são os primeiros traços de identificação da humanidade no homem”. Sobre questões sintáticas de concordância, analise os comentários abaixo.

I. O verbo ser, com o sujeito no singular e o predicativo no plural, tende a concordar com o predicativo, como em: O futuro são só incertezas.

II. Por vezes, o sujeito pode vir depois do verbo. Nesses casos, o verbo fica no singular, como em: É freqüente, no âmbito das escolas, os debates e discussões sobre a origem das línguas.

III. Em: O som das palavras pronunciadas criam uma melodia própria, a concordância não se fez segundo as normas do português em situações formais da comunicação, pois o verbo não está em acordo com o núcleo do sujeito.

IV. Em: Nenhuma das decisões políticas referentes às línguas indígenas agradaram aos congressistas, de fato, o verbo deve ficar no plural, em concordância com a expressão anterior ‘decisões políticas’.

V. Observe: Se a leitura de bons livros não for uma prática prioritária nas escolas, de nada adiantarão as campanhas de distribuição gratuita de livros. Nesse caso, o plural do verbo ‘adiantar’ se impõe: o sujeito, embora posposto, está no plural.

São CORRETOS apenas os comentários constantes nos itens:
A
I, II e III.
B
I, III e IV.
C
I, III e V.
D
II, IV e V
E
I, II e IV.