Questão
Centro Universitário de João Pessoa - UNIPE
2018
Fase Única
VER HISTÓRICO DE RESPOSTAS
4000223368
Em Canudos, a bandeira usada pelos seguidores de Antônio Conselheiro era a do Divino Espirito Santo - a bandeira do nosso povo, pobre, negro, índio e mestiço. Povo que o Brasil oficial, o dos brancos e poderosos, mais uma vez (e como já sucedera em Palmares e no Contestado), iria esmagar e sufocar, confrontando-se ali, no caso, duas visões opostas de justiça. 

Como era de esperar, a “justiça” dos poderosos também ali cortou a cabeça do Brasil real. E os acontecimentos de Canudos continuam a se repetir a cada instante. Em todos os lugares. Em todos os campos de atividade. Diariamente, incessantemente. Quando, no interior do país, uma milícia de poderosos, governamental ou não, assassina um pobre posseiro e sua família, é o Brasil dos que incendiaram e arrasaram Canudos que está atirando no Brasil real e matando seu povo. Quando, numa grande cidade, a polícia invade uma favela ou destrói uma “invasão”, são outros tantos dos nossos inumeráveis “arraiais de Canudos” pertencentes ao Brasil real que estão sendo destruídos e assolados pelo país oficial, que, para isso, consegue recrutar, a seu serviço, outros pobres integrantes do Brasil real. (SUASSUNA. 2018).

A referência feita por Ariano Suassuna ao movimento de Canudos revela que o arraial Conselheirista
A
representou uma ameaça ao poder constituído, por defender uma sociedade socialista marxista e o fim do latifúndio no Brasil. 
 
B
retomou os ideiais dos Quilombos dos Palmares, buscando criar uma resistência armada que levasse os oprimidos ao poder. 
 
C
buscou a salvação através da fé, e da desvinculação entre os problemas terrenos e as questões espirituais. 
D
criou uma alternativa para a população explorada do campo ao poder coronelístico e latifundiário. 
 
E
realizou a justiça pelas próprias mãos, assassinando os fazendeiros e as autoridades republicanas que chegaram à região.