Com 1,4 bilhão de habitantes, não dá para juntar 11 atletas num time competitivo? É o que se perguntam os torcedores chineses, frustrados mais uma vez por verem a Copa do Mundo sem a sua seleção.
O fracasso tem algo a ensinar sobre a sociedade chinesa e o futebol. A centralização foi muito eficaz para atingir as metas do governo e tornar a China uma potência econômica, militar e tecnológica. O futebol tornou-se uma dessas metas quando Xi Jinping assumiu o poder. Mas nem o estímulo do líder mais poderoso desde Mao Tsé-tung foi suficiente para a China acertar o pé.
O sistema centrado na obediência não ajuda a gestar criatividade. Jogadores e treinadores estrangeiros que atuaram na China notaram nessa diferença cultural um obstáculo à excelência. Foi um choque sobretudo para os brasileiros, ensinados a associar futebol à improvisação, ver como a reverência à hierarquia afetava tomadas de decisão desde o roupeiro até seus companheiros em campo, avessos a qualquer ação fora do roteiro.
É uma mentalidade que favorece o desempenho nas modalidades em que a repetição mecânica é premiada, como natação e ginástica – nessas os chineses se destacam. Mas não funciona no futebol.
MARCELO NINIO Adaptado de O Globo, 22/11/2022.
De acordo com o autor, o fracasso dos chineses no futebol deve ser atribuído à seguinte característica presente naquela sociedade: