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Como o asteroide que matou os dinossauros mudou a Amazônia 

Aline Pellegrini 

09 de abr de 2021 

Ecossistemas tropicais dominados por plantas com flores teriam se formado após colisão de gigantesca rocha espacial 

Há 66 milhões de anos, um asteroide de 12 km de largura atingiu a península de Yucatán, no México, e extinguiu não só os dinossauros, mas também três quartos de todas as outras espécies animais e metade das vegetais. Publicada no dia 2 de abril pela revista Science, uma nova pesquisa mostra que, das cinzas dessa destruição, podem ter nascido as florestas tropicais do norte da América do Sul. 

A partir da análise dos dados de 6.000 folhas fósseis e 50 mil grãos de pólen fossilizados de antes e depois que a rocha espacial colidiu com o planeta, o novo estudo responde a duas questões que pareciam sem solução: o que aconteceu com os ecossistemas tropicais após a extinção dos dinossauros e quando as florestas tropicais modernas surgiram. 

O que foi encontrado 

Por mais de uma década, pesquisadores sul-americanos escavaram e catalogaram essa flora ancestral colombiana. Identificar as espécies foi um trabalho que levou anos, mas permitiu à equipe determinar quais delas foram perdidas e quais surgiram após o impacto do asteroide. 

Antes da colisão, florestas tropicais como a Amazônia eram muito diferentes do que são agora. Os pesquisadores não encontraram apenas mudanças na composição das espécies, mas também mudanças na estrutura da floresta. 

Após o impacto da rocha na Terra, a diversidade das plantas caiu cerca de 45%. Nos seis milhões de anos que se seguiram ao evento, as florestas se recuperaram e as plantas com flores passaram a dominar esses ecossistemas. 

O adeus das coníferas 

Os componentes analisados contaram uma história: quando os dinossauros estavam vivos, no período Cretáceo (entre 145 milhões e 66 milhões de anos atrás), as florestas tropicais sul-americanas eram formadas por coníferas e outras gimnospermas que se organizavam de forma espaçada. O sol iluminava o chão da floresta. 

Famílias de dinossauros e de insetos lá viviam até a queda do asteroide. Depois disso, um novo tipo de floresta começou a crescer. A formação densa que passou a limitar a entrada de luz no solo, que atualmente caracteriza as florestas tropicais, ocorreu após o evento. Poucas samambaias permaneceram e as árvores passaram a crescer competindo pela luz. 

Segundo os pesquisadores, há três possíveis explicações para essa mudança: 

Uma hipótese sugere que os dinossauros, grandes e pesados, eram os responsáveis por manter a vegetação baixa, pisoteando o espaço entre as grandes coníferas e comendo ou quebrando novas mudas. Sem esses animais, as plantas puderam crescer e preencher as lacunas da floresta. 

O impacto do asteroide pode ter aumentado dramaticamente a disponibilidade de nutrientes no solo, talvez pelas cinzas da fauna extinta. Com mais nutrientes, as angiospermas (plantas com flores) tiveram então uma vantagem, já que conseguiram crescer mais rápido do que as gimnospermas.

A última hipótese é a de que a extinção das coníferas criou uma oportunidade para que as angiospermas tomassem seu lugar. 

O paleobiólogo Carlos Jaramillo, um dos responsáveis pela pesquisa, afirma que todas essas hipóteses já existiam, mas que a explicação sobre o que permitiu que as plantas com flores se tornassem o grupo dominante nas florestas tropicais sul americanas de hoje poderia ser uma combinação das três suposições. 

(Disponível em <https://www.nexojornal.com.br/expresso/2021/04/09/Como-o-asteroide-que-matou-os-dinossauros-mudou-a-Amaz%C3%B4nia> Acesso em 26 abr. 2021)

O texto de Aline Pellegrini, publicado no site do Nexo Jornal, detém, predominantemente, características de textos do tipo expositivo. Dos aspectos de linguagem abaixo, quais não podem ser comprovados no texto acima? 

A
Registro formal.
 
B
Vocabulário pessoal.
 
C
Função referencial.
 
D
Argumentos de autoridade.