Como pode um país inteiro cair nas mãos de um tirano? Esse questionamento atemporal foi um dos que moveram a obra de Shakespeare por décadas, durante o século XVI. E mais: seu retrato dos líderes autoritários ainda tem algo a nos dizer. É o que afirma o americano Stephen Greenblatt, professor da Universidade de Harvard e um dos principais estudiosos dos escritos do dramaturgo. Seu livro mais recente, de 2018, é Tyrant – Shakespeare on Politics (“Tirano − Shakespeare sobre política”, em tradução livre). Trata-se de um estudo sobre as raízes e consequências da tirania retratadas pelas peças de Shakespeare sempre de maneira oblíqua e indireta, deslocadas para outra época e lugar. “Demagogia, mentir compulsivamente, ataques à liberdade de expressão, comportamento narcisista, populismo fraudulento e afins são todas características de Ricardo III, personagem de Shakespeare. Eu aconselharia leitores contemporâneos a começar por aí”, afirma Greenblatt.
Adaptado de nexojornal.com.br, 10/03/2019.
Em suas peças, William Shakespeare não podia abordar diretamente determinados temas, como a tirania.
Aponte duas características políticas da época de Shakespeare que expliquem o porquê desse impedimento.
Em seguida, indique uma liderança política dos séculos XX ou XXI que exemplifique as considerações de Greenblatt quanto à atualidade do dramaturgo inglês.