Como são escolhidos os membros da Academia Brasileira de Letras?
Em 2022, a ABL ganhou cinco novos membros, sendo que a nomeação de dois deles — de Fernanda Montenegro e Gilberto Gil — causou polêmica; entenda os critérios da instituição
Para entender a questão, é preciso conhecer a história da ABL. Ela foi fundada em 20 de julho de 1897 a partir de uma ideia do escritor Lúcio de Mendonça. Ele queria criar no Brasil uma instituição nos mesmos moldes da Academia Francesa, fundada em 1635 por Richelieu, primeiro-ministro do reinado de Luís XIII. A ideia era reunir intelectuais para proteger e preservar a cultura da língua portuguesa.
A sessão inaugural da ABL contou com a presença de nomes como Olavo Bilac, Graça Aranha, Joaquim Nabuco, Ruy Barbosa e Machado de Assis – este último foi eleito o primeiro presidente. Na ocasião, foi aprovado o estatuto, que já previa a composição da ABL por 40 cadeiras, ocupadas de forma vitalícia (daí os membros serem chamados de “imortais”) e mais 20 sócios correspondentes estrangeiros.
Já na sua fundação havia uma divisão clara entre quem poderia se inscrever para ocupar uma cadeira na ABL. Machado de Assis defendia que se delimitasse a escritores. Joaquim Nabuco acreditava que a casa deveria ser aberta a personalidades importantes para a história do país. Ao longo do tempo, perdurou a tese de Nabuco.
As cadeiras da ABL só ficam vagas quando um ocupante morre. A partir daí, primeiro é realizada uma Sessão da Saudade, em que os demais acadêmicos homenageiam o colega falecido diante de membros de sua família. Então o presidente discorre sobre o fundador da cadeira e os imortais que a ocuparam ao longo da história, e, por fim, declara aberta a vaga.
Postulantes à cadeira vaga podem se candidatar em até 30 dias depois da Sessão da Saudade. Para isso, eles devem enviar uma carta de apresentação ao presidente da casa. Segundo o estatuto, “só podem ser membros efetivos da Academia os brasileiros que tenham, em qualquer dos gêneros de literatura, publicado obras de reconhecido mérito ou, fora desses gêneros, livro de valor literário”. A partir disso, começa uma campanha, em que os candidatos buscam convencer os demais membros a os escolherem.
Embora não sejam escritores, Fernanda Montenegro e Gilberto Gil têm, ambos, livros escritos – condição necessária para serem postulantes a uma cadeira. A atriz publicou em 2019 o livro de memórias Prólogo, ato e epílogo. Já o músico escreveu Todas as letras, em 1996, que compila 470 canções de sua autoria. Ainda assim, a polêmica sobre a ABL aceitar “não-escritores” é antiga. Desde sempre, figuras de importância nacional, como defendia Joaquim Nabuco, ocuparam suas cadeiras, como os políticos Getúlio Vargas, José Sarney, Fernando Henrique Cardoso, o cirurgião Ivo Pitanguy, o cineasta Cacá Diegues e o inventor Santos Dumont.
(Disponível em < https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2022/01/como-sao-escolhidos-os-membros-da-academia-brasileira-de-letras.html>. Acesso em 04 jul. 2022)
Apesar de ser muito conhecido por sua produção durante o Realismo, o autor Machado de Assis produziu obras de viés melodramático ainda no período romântico, antes da escrita de Memórias Póstumas de Brás Cubas, obra inaugural do Realismo. Assinale a alternativa que apresenta o título de uma obra romântica do autor.