Conforme o professor Ricardo Musse (USP), o livro A Revolução Burguesa no Brasil (1974) é um dos livros clássicos da sociologia histórica brasileira, pois encerra o ciclo de interpretações gerais do país, fundamentando análises futuras. Para o professor, a análise de Florestan Fernandes permite afirmar que a ausência de uma sucessão de acontecimentos de impacto, de uma revolução propriamente dita, não impediu o desenvolvimento do capitalismo no Brasil, mas ditou-lhe um ritmo próprio e uma condição particular. Nesse sentido, ao se referir passagens dos estudos de Florestan, Musse afirma:
A Independência abre caminho para a emergência da sociabilidade burguesa – seja como tipo de personalidade ou como formação social –, bloqueada até então pela conjugação de estatuto colonial, escravismo e grande lavoura exportadora. O simples rompimento com a condição colonial, a autonomia política engendra uma “situação nacional” que desenvolve o comércio e a vida urbana, alicerça o Estado e prepara a modernização.
(MOUSSE, R. Quatro vezes Florestan. Ago/2020. Disponível em: https://www.brasil247.com/blog/quatro-vezes-florestan. Acesso em: 17/03/2021
Para sustentar suas teses, é correto dizer que Florestan Fernandes, ao desenvolver o conceito de “capitalismo dependente”, indica que: