Questão
Simulado ENEM
2021
Fase Única
VER HISTÓRICO DE RESPOSTAS
4000179434
Despedida

Por mim, e por vós, e por mais aquilo
que está onde as outras coisas nunca estão,
deixo o mar bravo e o céu tranquilo:
quero solidão.

Meu caminho é sem marcos nem paisagens.
E como o conheces? - me perguntarão.
- Por não ter palavras, por não ter imagens.
Nenhum inimigo e nenhum irmão.

Que procuras? - Tudo. Que desejas? - Nada.
Viajo sozinha com o meu coração.
Não ando perdida, mas desencontrada.
Levo o meu rumo na minha mão.

A memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação...
Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estarão?

Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.
(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão!
Estandarte triste de uma estranha guerra...)
Quero solidão.

(Meireles, C. Obra poética. Rio de Janeiro: Editora Nova Aguilar S/A, 1987)

Quanto à temática, os poemas de Cecília Meireles podem ser considerados essencialmente existencialistas. Em Despedida, há um diálogo com um pretenso interlocutor, ao passo que pretende fazê-lo compreender suas concepções existenciais. 

Nesse sentido, é possível afirmar que:
A
a solidão desejada pelo eu-lírico pode ser entendida como um desejo de morte, o qual está explícito na última estrofe e reforçado pelo título do poema.
B
a despedida é inevitável, pois o eu-lírico entende que o romance entre os dois não é possível de ser continuado.
C
na memória do eu-lírico apenas reside lembranças de um funesto passado intangível.
D
o eu-lírico nunca viveu um passado glorioso, o que impactou o presente e as perspectivas de futuro.
E
o passado inglório do eu-lírico deixou-a desencontrada de si mesma.