Despedida
Por mim, e por vós, e por mais aquilo
que está onde as outras coisas nunca estão,
deixo o mar bravo e o céu tranquilo:
quero solidão.
Meu caminho é sem marcos nem paisagens.
E como o conheces? - me perguntarão.
- Por não ter palavras, por não ter imagens.
Nenhum inimigo e nenhum irmão.
Que procuras? - Tudo. Que desejas? - Nada.
Viajo sozinha com o meu coração.
Não ando perdida, mas desencontrada.
Levo o meu rumo na minha mão.
A memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação...
Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estarão?
Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.
(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão!
Estandarte triste de uma estranha guerra...)
Quero solidão.
(Meireles, C. Obra poética. Rio de Janeiro: Editora Nova Aguilar S/A, 1987)
Quanto à temática, os poemas de Cecília Meireles podem ser considerados essencialmente existencialistas. Em Despedida, há um diálogo com um pretenso interlocutor, ao passo que pretende fazê-lo compreender suas concepções existenciais.
Nesse sentido, é possível afirmar que: