Questão
Universidade de Fortaleza - UNIFOR
2018
1ª Fase
VER HISTÓRICO DE RESPOSTAS
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O EVANGELHO CONTADO POR UM CEARENSE

Jesus entrou numa jangada e os discípulos não contaram pipoca. Entraram também. Um dos apóstolos ainda cochichou um colega:

—Diabeisso, macho? Que foi que o ômi inventou agora?

—Sei não, macho. Sei que eu tô é dento!

Jesus armou logo uma tipoia lá atrás e deitou-se. Com todo mundo embarcado, o jangadeiro arrochou o nó pra dentro dágua.

Só que, mais na frente, deu o maior bode. Caiu um toró daqueles, de matar sapo afogado. E aí o mar ¿cou valente. As ondas lavando por cima da jangada, direto. De vez em quando vinha uma e assungava a jangada, que a bicha parecia que ia se desmantelar toda. Depois embiocava de novo num buraco de mar.

Os discípulos se aperrearam:

—Vixe!

—Valei-me, meu Deus!

—Agora pronto!

Enquanto isso, Jesus não dava nem as horas. Tirando o maior ronco, lá na rede.

Até que um dos discípulos, abriu dos pau e foi até Jesus, pedindo penico:

—Meste! Meste! O a boca quente que nós tamo, meste! A gente em tempo de se lascar aqui e o sinhô ¿ca e dormino?

Jesus queimou ruim:

—Vocês são um magote de mamanaégua mermo! Não aguentam uma lebrina!

Aí, olhou no rumo do céu e passou o maior carão:

—Vamo parar com esse chafurdo aí, que eu inda quero dormir até umas horas! Quer chover, vã chover lá na caxaprego!

E a chuva e a ventania se aquietaram que foi uma beleza. A nuvenzona preta, que estava em cima deles botou o rabo entre as pernas, chega saiu murcha.

Jesus foi dormir de novo e os discípulos (',caram naquele zum-zum-zum baixinho:

—Égua, macho, o homi botô foi quente...

—O chefe aí é invocado mermo... Num abre nem prum trem carregado de pólvora...

—Com um doido em cima, fumano...

(MATEUS, 8; 23-27 - adaptado)

Observando a linguagem utilizada, pode-se afirmar que
A
a diversidade linguística gera inconsistência teológica, visto que o humor faz parte da narrativa.
B
a comunicação no texto é possível e atende seu objetivo de atingir o público de comunidades incultas.
C
a variação linguística enriquece o patrimônio cultural do país ao considerar formas diversificadas de comunicação.
D
o texto apresenta termos e expressões próprios da norma culta padrão de determinada região do país.
E
a linguagem se distingue pelos elementos históricos, apesar de alguns registros escritos de maneira errônea.