Questão
Simulado ENEM
2020
Fase Única
VER HISTÓRICO DE RESPOSTAS
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Foi dito e feito. Com a brincadeira de pular os degraus de dois em dois, Leonor ganhou momentum e quando se viu ela os estava pulando de três em três, de quatro em quatro e de cinco em cinco. E lá se foi a pretinha Penha abaixo, os braços em pânico, lutando para manter o equilíbrio e a gritar como uma possessa.

Nós nos deixamos estar, brancos. Ela ia morrer, não tinha dúvida. Se rolasse, ia ser um trambolhão só por ali abaixo até o lance abrupto, e pronto. Se conseguisse se manter, o mínimo que lhe poderia acontecer seria levantar voo quando chegasse ao tal lance, considerada a velocidade em que descia. E lá ia ela, seus gritos se distanciando mais e mais, os bracinhos se agitando no ar em sua incontrolável carreira pela longa rampa luminosa.

Salvou-a um herói que quase no fim do primeiro lance pôs-se em sua frente, rolando um para cada lado. Não houve senão pequenas escoriações. Nós a sacudíamos muito, para tirála do trauma nervoso em que a deixara o tremendo susto passado. De pretinha, Leonor ficara cinzenta. Seus dentinhos batiam incrivelmente e seus olhos pareciam duas bolas brancas no negro do rosto. Quando conseguiu falar, a única coisa que sabia repetir era: “Virge Nossa Senhora! Virge Nossa Senhora!”.

Foi o último milagre da Penha de que tive notícia.

MORAES, Vinicius. Batizado na Pena. In: Para uma menina com flor. São Paulo: Companhia das Letras, 2009 (p. 51-52)

A crônica narra uma brincadeira lúdica de pular degraus. Porém, desse episódio advém um perigo. A partir do ponto de vista do narrador, é correto afirmar que:
A
e etnia de Leonor foi responsável pelo fato de ela não ter conseguido ajuda antes.
B
por sorte havia no caminho um médico que assessorou Leonor em sua queda.
C
Leonor entrou em um transe religioso típico de religiões de matriz judaica.
D
foi um verdadeiro ato de heroísmo a salvação de Leonor mediante conversão.
E
Leonor reage bem à queda, pois o grupo de estudantes a sacudiam para ajudá-la.