Fragmento I
“Muitos nativos e ribeirinhos da Amazônia acreditavam – e ainda acreditam – que no fundo de um rio ou lago existe uma cidade rica, esplêndida, exemplo de harmonia e justiça social, onde as pessoas vivem como seres encantados. (...)
Anos depois, ao ler os relatos de conquistadores e viajantes europeus sobre a Amazônia, percebi que o mito do Eldorado era uma das versões ou variações possíveis da Cidade Encantada, que, na Amazônia, é referida também como uma lenda. Mitos que fazem parte da cultura indo-européia, mas também da ameríndia e de muitas outras. Porque os mitos, assim como as culturas, viajam e estão entrelaçados. Pertencem à História e à memória coletiva”.
HATOUM, Milton. Órfãos do Eldorado. São Paulo: Companhia das Letras, 2008, pp. 105-106 (fragmento).
Fragmento II
“O mito é o nada que é tudo.
O mesmo sol que abre os céus
É um mito brilhante e mudo –
O corpo morto de Deus,
Vivo e desnudo.
(...)
Assim a lenda se escorre
A entrar na realidade,
E a fecundá-la decorre.
Em baixo, a vida, metade
De nada, morre”.
PESSOA, Fernando. Ulisses. In: Mensagem. São Paulo: Abril, 2010, p. 23.
Comparando os dois fragmentos citados, o primeiro pertencente ao posfácio da obra Órfãos do Eldorado, do autor Milton Hatoum, e o segundo pertencente ao poema intitulado Ulisses, de Fernando Pessoa, é CORRETO afirmar.