Questão
Universidade Federal de Tocantins - UFT
2014
Fase Única
VER HISTÓRICO DE RESPOSTAS
4000180316
Fragmento I

“Muitos nativos e ribeirinhos da Amazônia acreditavam – e ainda acreditam – que no fundo de um rio ou lago existe uma cidade rica, esplêndida, exemplo de harmonia e justiça social, onde as pessoas vivem como seres encantados. (...)

Anos depois, ao ler os relatos de conquistadores e viajantes europeus sobre a Amazônia, percebi que o mito do Eldorado era uma das versões ou variações possíveis da Cidade Encantada, que, na Amazônia, é referida também como uma lenda. Mitos que fazem parte da cultura indo-européia, mas também da ameríndia e de muitas outras. Porque os mitos, assim como as culturas, viajam e estão entrelaçados. Pertencem à História e à memória coletiva”.

HATOUM, Milton. Órfãos do Eldorado. São Paulo: Companhia das Letras, 2008, pp. 105-106 (fragmento).

Fragmento II

“O mito é o nada que é tudo.
O mesmo sol que abre os céus
É um mito brilhante e mudo –
O corpo morto de Deus,
Vivo e desnudo.

(...)

Assim a lenda se escorre
A entrar na realidade,
E a fecundá-la decorre.
Em baixo, a vida, metade
De nada, morre”.

PESSOA, Fernando. Ulisses. In: Mensagem. São Paulo: Abril, 2010, p. 23.

Comparando os dois fragmentos citados, o primeiro pertencente ao posfácio da obra Órfãos do Eldorado, do autor Milton Hatoum, e o segundo pertencente ao poema intitulado Ulisses, de Fernando Pessoa, é CORRETO afirmar.
A
Milton Hatoum refere-se ao mito como uma mentira, que não tem importância e significado para a História, enquanto Fernando Pessoa valoriza e amplia seu significado mágico e histórico.
B
Nos dois fragmentos, destaca-se a reflexão que os autores propõem sobre a razão humana, que desmente os mitos, valorizando a verdade científica em detrimento da mística religiosa.
C
No poema de Fernando Pessoa, o mito é apresentado como metáfora da incredulidade humana, enquanto no texto de Hatoum torna-se personificação da coragem dos índios da Amazônia contra a colonização européia.
D
O ceticismo e a melancolia são características constantes tanto na poesia de Fernando Pessoa quanto na prosa de Milton Hatoum, dos quais os fragmentos são exemplares por apresentarem homens que não acreditam em mitos.
E
Hatoum, a partir do mito do Eldorado, e Fernando Pessoa, a partir do corpo mítico, humano e divino do filho de Deus, apresentam o mito como algo vivo, presente no cotidiano de diversas culturas a fecundar a realidade.