I.
Poema de Sete Faces
Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
[...]
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.
[...]
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Poema de Sete Faces. Disponível em:< http://www.poesias poemaseversos.com.br/poema-de-sete-faces-carlos-drummond-de-andrade>. Acesso em: 22 maio 2018.
II.
Com licença poética
Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
[...]
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.
PRADO, Adélia. Com licença poética. Disponível em:<https://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/8216-com-licenca-poetica-821-de-adelia-prado/>. Acesso em: 22 maio 2018.
Os versos de Adélia Prado dialogam com os de Carlos Drummond de Andrade,