Leia atentamente o poema a seguir, do poeta português Luís Vaz de Camões (1524 – 1580):
Transforma-se o amador na cousa amada,
por virtude do muito imaginar;
não tenho, logo, mais que desejar,
pois em mim tenho a parte desejada.
Se nela está minha alma transformada,
que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si somente pode descansar,
pois consigo tal alma está ligada.
Mas esta linda e pura semideia,
que, como um acidente em seu sujeito,
assim como a alma minha se conforma,
está no pensamento como ideia:
e o vivo e puro amor de que sou feito,
como a matéria simples busca a forma.
Um dos aspectos que mais se destacam na obra de Camões e que pode ser observado nesse poema é: