Leia o excerto do conto “Felicidade clandestina”, de Clarice Lispector, para responder a questão.
Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar... Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada. Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo. Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante (LISPECTOR, 1996, p. 7).
O trecho do livro é o momento em que a menina (personagem principal do conto) conseguira pegar emprestado o livro “As reinações de Narizinho”, de Monteiro Lobato. A narração é feita em primeira pessoa do singular. Ao lermos a narrativa da personagem, podemos interpretar que: