Leia a fábula “O camelo e os troncos boiando” de La Fontaine.
Tal novidade era o Camelo,
Que o primeiro fugiu ao vê-lo;
O segundo aproximou-se; o terceiro, presto,
Pôs no Dromedário um cabresto.
Tudo se torna assim familiar com o hábito.
O que antes parecia assustador e insólito
Se acomoda à nossa visão
Quando já é repetição.
Aliás este caso do qual estamos falando
Lembra o das pessoas que, olhando
Longe no mar algo impreciso balançando,
Garantiram ter pela frente
Um navio todo imponente.
Mas momentos depois tornou-se aquilo um bote,
Ora foi balsa, ora caixote,
Sendo por fim troncos boiando.
Bem sei que a muitos, circulando,
Convém no mundo esta tirada:
De longe é alguma coisa, de perto não é nada.
(Jean de La Fontaine. Fábulas selecionadas, 2013.)
Tendo em vista as associações estabelecidas internamente na fábula, o “Dromedário”, mencionado no quarto verso, equivaleria