Leia o fragmento da peça teatral a seguir.
Cena II.
Pedro – Senhor chamou?
Eduardo – Onde andava?
Pedro – Fui ali na loja da esquina.
Eduardo – Fazer o quê? Quem lhe mandou lá?
Carlotinha – Foi vadiar, é só o que ele faz.
Pedro – Não, nhanhã; fui comprar soldadinho de chumbo.
[...]
Cena XVII
Eduardo – Os antigos acreditavam que toda a casa era habitada por um demônio familiar, do qual dependia o sossego e a tranquilidade das pessoas que nela viviam. Nós, os brasileiros, realizamos infelizmente esta crença; temos no nosso lar doméstico esse demônio familiar.
ALENCAR, José. O demônio familiar. Campinas, SP: Pontes, 2003, p. 10; 89.
Escrita em 1857, a peça O demônio familiar fez grande sucesso, quando foi encenada no Rio de Janeiro. As obras de teatro de Alencar pretendiam, pedagogicamente, fixar a percepção que a Corte tinha da escravidão. Nesse sentido,
a) caracterize as formas de trabalho do escravo urbano, em vigor no período;
b) explique o porquê de o escravo ser considerado um demônio familiar, na peça de Alencar