Questão
Universidade Federal de Juiz de Fora - UFJF
2020
Fase Única
VER HISTÓRICO DE RESPOSTAS
4000108906
Leia o texto do crítico Alfredo Bosi sobre Graciliano Ramos:

“Mas é em São Bernardo que o foco narrativo em primeira pessoa mostrará a sua verdadeira força na medida em que seria capaz de configurar o nível de consciência de um homem que, tendo conquistado a duras penas um lugar ao sol, absorveu na sua longa jornada toda a agressividade latente de um sistema de competição. Paulo Honório cresceu e afirmou-se no clima de posse, mas a sua união com a professorinha idealista da cidade vem a ser o único e decisivo malogro daquela posição de propriedade estendida a um ser humano. Tragédia do ciúme, no plano afetivo, e, ao mesmo tempo, romance de desencontro fatal entre o universo do ter e o universo do ser, São Bernardo ficará, na economia extrema de seus meios expressivos, como paradigma de romance psicológico e social da nossa literatura.”

(BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. 3ª. ed. São Paulo: Cultrix, 1997.)

O crítico literário Alfredo Bosi classifica São Bernardo, de Graciliano Ramos, como obra paradigmática tanto de romance psicológico como de romance social da literatura brasileira. Dentre as alternativas abaixo, marque aquela cujo argumento NÃO justifica a afirmativa de Bosi:
A
O crítico afirma que São Bernardo é a tragédia do ciúme, no plano afetivo, e, ao mesmo tempo, romance de desencontro fatal entre o universo do ter e o universo do ser.
B
Em função do foco narrativo na primeira pessoa, o romance, ao mesmo tempo que configura o nível de consciência do narrador, é capaz de representar a agressividade de um sistema de competição no qual Paulo Honório está inserido.
C
De acordo com o crítico, o fato de Paulo Honório haver crescido e se afirmado no clima de posse faz da sua união frustrada com a professorinha idealista da cidade o único e decisivo malogro da sua posição de proprietário, que se estendia também a um ser humano.
D
A tragédia do ciúme, de acordo com o crítico, não pode ser atribuída ao fato de Paulo Honório ter se moldado no universo do ter, pois ele parece mesmo incapaz de se moldar em qualquer ordem vigente.
E
Para Alfredo Bosi, a economia extrema de meios expressivos do narrador é condizente com sua trajetória social no universo do ter, e a incorporação da agressividade configura seu nível de consciência.