Leia o texto abaixo, início de um poema modernista português intitulado “Ode triunfal”:
À dolorosa luz das grandes lâmpadas elétricas da fábrica
Tenho febre e escrevo.
Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,
Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.
Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r eterno!
Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria! Em fúria fora e dentro de mim,
Por todos os meus nervos dissecados fora, Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto!
Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos,
De vos ouvir demasiadamente de perto,
E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso
De expressão de todas as minhas sensações, Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas
Em febre e olhando os motores como a uma natureza tropical –
Assinado por Álvaro de Campos, um dos heterônimos de Fernando Pessoa, e publicado em 1915, no primeiro número da revista portuguesa “Orpheu”, órgão de divulgação do Modernismo em Portugal, pode-se dizer a respeito do poema o seguinte: