Questão
Universidade Federal do Amazonas - UFAM
2014
Fase Única
VER HISTÓRICO DE RESPOSTAS
4000218960
Leia o texto abaixo, início de um poema modernista português intitulado “Ode triunfal”: 

À dolorosa luz das grandes lâmpadas elétricas da fábrica 
Tenho febre e escrevo. 
Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto, 
Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos. 
Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r eterno! 
Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria! Em fúria fora e dentro de mim, 
Por todos os meus nervos dissecados fora, Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto! 
Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos, 
De vos ouvir demasiadamente de perto, 
E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso 
De expressão de todas as minhas sensações, Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas 
Em febre e olhando os motores como a uma natureza tropical – 

Assinado por Álvaro de Campos, um dos heterônimos de Fernando Pessoa, e publicado em 1915, no primeiro número da revista portuguesa “Orpheu”, órgão de divulgação do Modernismo em Portugal, pode-se dizer a respeito do poema o seguinte: 
A
Como consequência da rápida evolução tecnológica que marca o início do século XX, o que provocou variações no gosto artístico, promove a integração poética da civilização material. 
 
B
Com o excepcional avanço de ciências como a psicologia, busca explorar o inconsciente, trabalhando com imagens aleatórias, sem qualquer explicação aparente. 
 
C
Trabalha com o hermetismo, em que o uso cifrado do vocabulário, de alusões e da sintaxe retorcida conduz a um esforço para a decodificação do significado do que está escrito. 
 
D
Aliado ao trabalho com o verso livre, ou seja, com versos sem a padronização métrica dos estilos do século XIX, observa-se o total descompromisso com o ritmo. 
 
E
Por influência de vanguardas artísticas do início do século XX, evita-se o chamado pensamento-frase, preferindo-se enumerações caóticas, sem a lógica tradicional.