Questão
Universidade de Rio Verde - UniRV
2021
Fase Única
VER HISTÓRICO DE RESPOSTAS
4000143902
Leia o texto abaixo e responda à questão.

𝐀 𝐞𝐭𝐢𝐜𝐚 𝐞 𝐦𝐚𝐢𝐬 𝐢𝐦𝐩𝐨𝐫𝐭𝐚𝐧𝐭𝐞 𝐪𝐮𝐞 𝐚 𝐫𝐞𝐥𝐢𝐠𝐢𝐚𝐨

𝐹𝑟𝑎𝑛𝑧 𝐴𝑙𝑡: Santidade, caro amigo: Após o ataque terrorista em Paris, no início de janeiro de 2015, sua Santidade disse uma frase provocante para um líder religioso: “Alguns dias penso que seria melhor se não houvesse nenhuma religião!” Sua Santidade parece estar cada vez mais cético em relação às religiões, porque elas também dão origem à violência, ao fanatismo e à intolerância. O que queria dizer com esta frase?

𝐷𝑎𝑙𝑎𝑖 𝐿𝑎𝑚𝑎: O conhecimento e a prática das religiões foram e continuam a ser úteis, mas isso já não é suficiente nos tempos modernos, como muitos exemplos em todo o mundo tornam cada vez mais evidente. Isto aplica-se a todas as religiões e, é claro, também ao cristianismo e ao budismo. Em nome da religião foram, e continuam a ser, travadas guerras, até mesmo “guerras santas”. Há milênios que a força é usada e justificada em nome da religião. As religiões foram e são muitas vezes intolerantes. É por isso que digo que, no século XXI, precisamos de uma nova ética que vá mais além de todas as religiões. Refiro-me, por isso, a uma ética secular que seja útil e prática para mais de mil milhões de ateus e um número cada vez maior de agnósticos. A nossa espiritualidade humana básica é mais fundamental do que a religião. O amor, a bondade e o carinho são uma tendência inerente ao ser humano, independentemente da religião a que pertencemos.

𝐹𝑟𝑎𝑛𝑧 𝐴𝑙𝑡: A palavra espiritualidade está na moda. O que é para si a espiritualidade?

𝐷𝑎𝑙𝑎𝑖 𝐿𝑎𝑚𝑎: A espiritualidade é a mais elementar de todas as fontes primordiais da humanidade. Quando decidirmos cultivar os valores internos que todos nós apreciamos nos outros, então começamos a viver espiritualmente. Devemos criar uma base ética e cultivar os nossos valores internos, de modo a que eles se adaptem aos nossos tempos científicos, mas, ao mesmo tempo, não devemos negligenciar as necessidades mais profundas do espírito humano. Naturalmente todas as religiões podem prestar uma valiosa contribuição para esta ética secular holística.

Estou convencido de que as pessoas podem viver sem religião, mas não podem viver sem valores internos, sem ética. A diferença entre a ética e a religião é semelhante à diferença entre a água e o chá. A ética e os valores internos, baseados num contexto religioso, são mais como chá. O chá que bebemos consiste em grande parte em água, mas também contém outros ingredientes, tais como folhas de chá, especiarias, talvez um pouco de açúcar e, pelo menos no Tibete, até mesmo uma pitada de sal, e isso torna-o mais saboroso e nutritivo e é algo que queremos tomar todos os dias. Mas independentemente de como o chá é preparado, o seu ingrediente principal é sempre a água. Podemos viver sem chá, mas não sem água. De igual modo, nascemos sem religião, mas não sem a necessidade básica de compaixão e também não sem água.

[…]

Há 56 anos vivo no exílio na Índia. Lá, convivo com uma ética secular e uma sociedade secular. O Mahatma Gandhi tinha um espírito profundamente religioso, mas também secular, nos seus círculos de oração diária eram apresentados e cantados textos de todas as grandes religiões e filosofias. Gandhi era um grande amigo de Jesus e do seu pacifismo no Sermão da Montanha. Ele é o meu modelo, porque ele encarna a tolerância religiosa sem rodeios. Esta tolerância tem antigas raízes indianas. Hindus, muçulmanos, cristãos, sikhs, jainistas, mas também budistas, zoroastristas, judeus, agnósticos e ateus convivem – com poucas exceções – pacificamente. Na Índia, há minorias étnicas e religiosas e centenas de idiomas. O Tibete é a minha pátria. Mas de certa forma, eu também sou filho da Índia secular.

(𝗢 𝗮𝗽𝗲𝗹𝗼 𝗱𝗼 𝗗𝗮𝗹𝗮𝗶 𝗟𝗮𝗺𝗮 𝗮𝗼 𝗺𝘂𝗻𝗱𝗼 – com Franz Alt. Benevento Books.)

Assinale V (verdadeiro) ou F (falso) para a alternativa de acordo com o texto:

Ao defender uma ética secular, o Dalai Lama almeja atrair para as religiões os muitos ateus e agnósticos.
C
Certo.
E
Errado.