Leia os textos a seguir.
Texto I
O diretor da fábrica tinha ordens para manter o relógio de pulso “trancado a sete chaves a fim de impedir que outra pessoa o alterasse”. Os seus deveres também eram definidos na Instrução 8: “Toda manhã, às cinco horas, o diretor deve tocar o sino para o início do trabalho, às oito horas para o café da manhã, depois de meia hora para o retorno ao trabalho, ao meio-dia para o almoço, a uma hora para o trabalho e às oito para o fim do expediente”. Nesse ponto, já em 1700, estamos entrando na paisagem familiar do capitalismo industrial disciplinado, com a folha de controle do tempo, o controlador do tempo, os delatores e as multas.
(THOMPSON, E. P. Costumes em comum. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. p.275 e p.290-291.)
Texto II
Motorista de aplicativo há cerca de três anos, Roberto Muniz resolveu iniciar a atividade para complementar a renda de assistente administrativo. Sai do trabalho às 17h e, três ou quatro vezes por semana, dirige até meia-noite ou até bater a meta do dia, que varia de R$ 120 a R$ 200. Após trabalhar 8 horas na empresa e mais 7 horas nas ruas, Roberto admite ficar exausto. As 15 horas diárias do trabalho, ao todo, são muito superiores às 8 horas estabelecidas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) como jornada legal de trabalho. Ultrapassar esse limite de horas trabalhadas é situação comum entre pessoas que utilizam os aplicativos de transporte como fonte de renda, seja principal ou secundária.
(Motorista de aplicativos dirigem até 15 horas por dia; entenda o que é a “uberização” do trabalho. Diário do Nordeste. 5 jun. 2019. Disponível em: <https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/> Acesso em: 20 ago. 2023.)
Com base nos textos e nos conhecimentos históricos, responda aos itens a seguir.
a) Em relação ao texto I, cite o processo histórico ao qual o autor se refere e explique a sua consequência no mundo do trabalho.
b) A partir da leitura dos 2 textos, reflita sobre as permanências e as rupturas no mundo do trabalho.