Questão
Universidade do Estado do Amazonas - UEA
2024
Fase Única
VER HISTÓRICO DE RESPOSTAS
4000301211
Leia o trecho do “Sermão do Mandato”, de Antônio Vieira, pregado em Lisboa, no Hospital Real, no ano de 1643.

Estes são os poderes do tempo sobre o amor. Mas sobre qual amor? Sobre o amor humano, que é fraco; sobre o amor humano, que é inconstante; sobre o amor humano, que não se governa por razão, senão por apetite; sobre o amor humano, que, ainda quando parece mais fino, é grosseiro e imperfeito. O amor, a quem remediou e pôde curar o tempo, bem poderá ser que fosse doença; mas não é amor. O amor perfeito, e que só merece o nome de amor, vive imortal sobre a esfera da mudança, e não chegam lá as jurisdições do tempo. Nem os anos o diminuem, nem os séculos o enfraquecem, nem as eternidades o cansam. Quis-nos declarar Salomão, diz Santo Agostinho, que o amor que é verdadeiro tem obrigação de ser eterno; porque, se em algum tempo deixou de ser, nunca foi amor. Notável dizer! Em todas as outras coisas o deixar de ser é sinal de que já foram; no amor o deixar de ser é sinal de nunca ter sido. Deixou de ser, pois nunca foi. Deixastes de amar, pois nunca amastes. O amor que não é de todo o tempo, e de todos os tempos, não é amor, nem foi; porque, se chegou a ter fim, nunca teve princípio. É como a eternidade, que se por impossível tivera fim, não teria sido eternidade.

(Antônio Vieira. Essencial, 2011. Adaptado.)

Antônio Vieira dirige-se diretamente a seus ouvintes no seguinte trecho:

A
“Estes são os poderes do tempo sobre o amor”.
B
“O amor perfeito [...] vive imortal sobre a esfera da mudança”.
C
“o amor [...] verdadeiro tem obrigação de ser eterno”.
D
“Deixou de ser, pois nunca foi”.
E
“Deixastes de amar, pois nunca amastes”.