Leia o trecho de Os Sertões, de Euclides da Cunha, para responder à questão.
A vida normalizava-se naquela anormalidade,
despontavam peripécias extravagantes. Os soldados da
linha negra, na tranqueira avançada do cerco, travavam,
às vezes, noite velha, longas conversas com os jagunços.
O interlocutor da nossa banda subia à berma da
trincheira e, voltado para a praça, fazia ao acaso um
reclamo qualquer, enunciando um nome vulgar, o primeiro
que lhe acudia ao intento, com voz amiga e lhana, como
se apelidasse algum camarada; e invariavelmente, do
âmago do casario ou, de mais perto, de dentro dos
entulhos das igrejas, lhe respondiam logo, com a mesma
tonalidade mansa, dolorosamente irônica. Entabulava-se
o colóquio original através das sombras, num reciprocar
de informações sobre tudo, do nome de batismo ao lugar
do nascimento, à família e às condições de vida.
Não raro a palestra singular derivava a coisas
escabrosamente jocosas e pelas linhas próximas, no
escuro, ia rolando um cascalhar de risos abafados.
O diálogo delongava-se até apontar a primeira
divergência de opinião.
Salteavam-se, então, de lado a lado, meia dúzia
de convícios ríspidos, num calão enérgico. E logo depois,
um ponto final – a bala...
“A vida normalizava-se naquela anormalidade, despontavam peripécias extravagantes. Os soldados da linha negra, na tranqueira avançada do cerco, travavam, às vezes, noite velha, longas conversas com os jagunços.”
Na introdução do texto, o narrador: