Questão
Universidade do Estado do Amazonas - UEA
2016
Fase Única
VER HISTÓRICO DE RESPOSTAS
4000007663
Leia o trecho do poema “Lembrança de morrer”, do poeta Álvares de Azevedo (1831-1852)

Quando em meu peito rebentar-se a fibra,
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nem uma lágrima
Em pálpebra demente.

E nem desfolhem na matéria impura
A flor do vale que adormece ao vento:
Não quero que uma nota de alegria
Se cale por meu triste passamento¹.

Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto o poento² caminheiro³…
Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre⁴ de um sineiro⁵

Como o desterro de minh’alma errante,
Onde fogo insensato a consumia,
Só levo uma saudade – é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia⁶
.
(Lira do vinte anos, 1996.)

¹ passamento: falecimento.
² poento: que tem poeira, poeirento.
³ caminheiro: andarilho.
⁴ dobre: toque do sino.
⁵ sineiro: aquele que toca sino.
⁶ embelecer: tornar belo.

Os dois versos iniciais da 3ª estrofe (“Eu deixo a vida como deixa o tédio / Do deserto o poento caminheiro…”) constituem uma oração cujos termos não estão em ordem direta (fenômeno linguístico conhecido como “hipérbato”). Uma compreensão adequada dessa oração implica a seguinte leitura: 
A
O tédio deixa o poento caminheiro do deserto como eu deixo a vida. 
B
Eu deixo a vida do deserto como o poento caminheiro deixa o tédio. 
C
Eu deixo a vida como o poento caminheiro deixa o tédio do deserto. 
D
Eu deixo o poento caminheiro como a vida deixa o tédio do deserto. 
E
O poento caminheiro deixa a vida como eu deixo o tédio do deserto.