Leia o trecho do romance Dois irmãos, de Milton Hatoum.
A velhice ainda estava longe, e a amargura, se existia, Rânia sabia esconder. Escondia muitas coisas: seus pensamentos, suas ideias, seu humor e mesmo uma boa parte do corpo, que eu nunca deixei de admirar. No entanto, era uma virtuose nas questões mais prosaicas, e nisso ela me ajudava. Dá pena pensar que ela só usava aquelas mãos morenas de dedos longos e perfeitos para trocar uma lâmpada, consertar uma torneira ou desentupir um ralo.
(Dois irmãos, 2000.)
Na visão do narrador, Rânia é uma mulher