Leve em consideração os poemas comparados a seguir.
TEXTO I
PRETENDE AGORA (POSTO QUE EM VÃO) DESENGANAR AOS SEBASTIANISTAS, QUE APLICAVÃO O DITO COMETA À VINDA DO ENCOBERTO
Estamos em noventa era esperada
De todo o Portugal, e mais conquistas,
Bom ano para tantos bestianistas,
Melhor para iludir tanta burrada.
Vê-se uma estrela pálida, e barbada,
E deduzem agora astrologistas
A vinda de um Rei morto pelas listas,
Que não sendo dos Magos é estrelada.
Oh quem a um bestianista pergunta,
Com que razão, ou fundamento, espera
Um Rei, que em guerra d`África acabara?
E se com Deus me dá; eu lhe dissera,
Se o quis restituir, não o matara,
E se o não quis matar, não o escondera.
MATOS, Gregório. Poemas escolhidos. São Paulo: Companhia das Letras, 2010 (p. 159).
TEXTO II
SEGUNDO / ANTÓNIO VIEIRA
O céu 'strela o azul e tem grandeza.
Este, que teve a fama e à glória tem,
Imperador da língua portuguesa,
Foi-nos um céu também.
No imenso espaço seu de meditar,
Constelado de forma e de visão,
Surge, prenúncio claro do luar,
El-Rei D. Sebastião.
Mas não, não é luar: é luz do etéreo.
É um dia, e, no céu amplo de desejo,
A madrugada irreal do Quinto Império
Doira as margens do Tejo.
PESSOA, Fernando. Mensagem. Fonte: Domínio Público.
Disponível em: https://tinyurl.com/327hcpey. Acesso em: 1o fev. 2022.
Contrapostos entre si, os textos indicam, respectivamente: