Questão
Universidade de Ribeirão Preto - UNAERP
2019
Fase Única
VER HISTÓRICO DE RESPOSTAS
4000072717
Mas Dora tinha treze para quatorze anos, os seios já haviam começado a surgir sob o vestido, parecia uma mulherzinha, muito séria, a buscar os remédios para a mãe, a tratar dela. Margarida melhorou quando já os violões recomeçavam a tocar no morro, porque a epidemia de varíola tinha se acabado. A música voltou a dominar as noites do morro, e Margarida, se bem ainda não estivesse completamente boa, foi à casa de algumas de suas freguesas em busca de roupa. [...] Trabalhou o dia todo, sob o sol e a chuva que caiu pela tarde. No outro dia não voltou ao trabalho porque recaiu do alastrim, e a recaída é sempre terrível. Dois dias depois descia do morro o último caixão feito pela varíola. Dora não soluçava. Corriam as lágrimas pelo seu rosto, mas enquanto o caixão descia ela pensava era em Zé Fuinha, que pedia o que comer. O irmãozinho chorava de dor e de fome. Era muito menino para compreender que tinha ficado sem ninguém na imensidão da cidade.

Jorge Amado, Capitães da Areia

A personagem Dora, citada no excerto,
A
torna-se órfã em consequência da epidemia de varíola e junta-se, com o irmão mais novo, ao grupo dos menores delinquentes que atuam na capital.
B
revela-se uma mulher forte, que se torna a líder do bando, direcionando as ações criminosas especificamente contra os mais ricos.
C
representa, por sua coragem e determinação, uma esperança da comunidade na luta contra os Capitães da Areia.
D
recorre ao padre José Pedro em busca de abrigo, enquanto sofre ameaças por parte dos que dominam o morro onde mora.
E
passa a viver nas ruas com seu irmão mais novo, até conhecer Pedro Bala, que a convida a lutar contra o grupo criminoso que oprime os moradores do morro.