Questão
Universidade de Brasília - UNB
2016
Fase Única
VER HISTÓRICO DE RESPOSTAS
4000096411
Moral para médicos — O doente é um parasita da sociedade. Em certo estado, é indecente viver mais tempo. Prosseguir vegetando em covarde dependência de médicos e tratamentos, depois que o sentido da vida, o direito à vida foi embora, deveria acarretar um profundo desprezo na sociedade. Os médicos, por sua vez, deveriam ser os intermediários desse desprezo — não apresentando receitas, mas a cada dia uma dose de nojo a seus pacientes… Criar uma nova responsabilidade, a do médico, para todos os casos em que o supremo interesse da vida, da vida ascendente, exige a mais implacável supressão e rejeição da vida que degenera. Morrer orgulhosamente, quando não é mais possível viver orgulhosamente. A morte escolhida livremente: de modo que ainda seja possível uma real despedida, em que ainda esteja ali aquele que se despede. A questão, aqui, desafiando todas as covardias do preconceito, é estabelecer, antes de tudo, a apreciação correta, ou seja, fisiológica, da chamada morte natural. A morte nas condições mais desprezíveis é uma morte não livre, uma morte no tempo errado, uma morte covarde. Por amor à vida, deveria ser desejada outra morte, livre, consciente, sem acaso, sem assalto…

Friedrich Nietzsche. 100 aforismos sobre o amor e a morte. Companhia das Letras, s. d. (com adaptações).

A partir da filosofia de Nietzsche e tomando como referência inicial o texto acima, julgue o item.

A filosofia de Nietzsche, em que há uma relação complexa entre a razão e o corpo,
A
tem caráter dualista, privilegiando a razão em detrimento do corpo.
B
tem caráter dualista, privilegiando o corpo em detrimento da razão.
C
considera a razão uma manifestação do corpo, sendo, portanto, distinta do dualismo.
D
considera o corpo uma manifestação da razão, sendo, portanto, distinta do dualismo.