Morro da Babilônia
À noite, do morro
descem vozes
que criam o terror.
(terror urbano, cinquenta por cento de cinema,
e o resto que veio de Luanda ou se perdeu na língua geral).
Quando houve revolução, os soldados se espalharam no morro,
o quartel pegou fogo, eles não voltaram.
Alguns, chumbados, morreram.
O morro ficou mais encantado.
Mas as vozes do morro
não são propriamente lúgubres.
Há mesmo um cavaquinho bem afinado
que domina os ruídos da pedra e da folhagem
e desce até nós, modesto e recreativo,
como uma gentileza do morro.
(Andrade, Carlos Drummond de. Sentimento de mundo – 1.ed. S. Paulo: Companhia das Letras, 2012 – p.27.)
De que maneira o poema Morro da Babilônia, de Drummond, dialoga com O Cortiço, de Aluísio Azevedo? Sua resposta deve conter dois elementos de intersecção entre as obras.