Questão
Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - UFMS
2022
Fase Única
VER HISTÓRICO DE RESPOSTAS
4000287434
“Mulher proletária”

Mulher proletária – única fábrica
que o operário tem, (fábrica de filhos)
tu
na tua superprodução de máquina humana
forneces anjos para o Senhor Jesus,
forneces braços para o senhor burguês. 

Mulher proletária,
o operário, teu proprietário
há de ver, há de ver:
a tua produção,
a tua superprodução,
ao contrário das máquinas burguesas
salvar teu proprietário.

(LIMA, Jorge de. “Mulher proletária” [1932]. In: Poesia completa. Organização de Alexei Bueno; textos críticos de Marco Lucchesi [et al.]. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1997. p. 286-287)

A poesia de Jorge de Lima articula aspectos do período histórico e de experiências vividas pelo homem, convertendo-os em matéria de muitos de seus escritos, como é o caso do poema “Mulher proletária”, de 1932, mesmo ano do reconhecimento legal do trabalho feminino, que viria a ser regulamentado pela Constituição de 1934. Considerando o contexto de produção do texto e analisando as escolhas linguísticas e seus efeitos na construção de sentidos, assinale a alternativa correta.
A
Ao empregar as metáforas “única fábrica” e “máquina humana”, como atributos da mulher, e o verbo “fornecer”, como ação por ela praticada, o poeta deixa pressuposta sua “ideologia”: favorável ao modo de produção capitalista e ao patriarcado.
B
Na primeira estrofe, ao usar, na função de sujeito, a expressão “Mulher proletária” (3ª pessoa), retomada pelo pronome “tu” (2ª pessoa), o eu lírico representa a mulher como um ser sem direito à individualidade e, portanto, assujeitada ao marido e ao patrão.
C
Na primeira estrofe, o uso da expressão “Mulher proletária” na função de vocativo e o emprego de “tu” na função de sujeito da frase, associado aos verbos “fornecer” e “salvar”, concorrem para produzir efeitos de desreificação e de valorização da mulher trabalhadora.
D
Pelo uso das iniciais maiúscula e minúscula em “Senhor Jesus” e “senhor burguês”, o poeta representa seu posicionamento em defesa da fé cristã como sustentação ideológica, defendendo, assim, a representação bíblica da mulher como responsável pela geração de filhos.
E
Ao mesmo tempo em que, pelo uso metonímico de “braços”, denuncia a exploração do ser humano pelo capitalismo, a voz do eu lírico constrói uma imagem negativa da mulher como mera espectadora (“há de ver, há de ver”) que se contrapõe à imagem positiva do homem como seu proprietário.