Questão
Universidade Federal de Uberlândia - UFU
2012
2ª Fase
4000032443
Discursiva
Não há vagas

O preço do feijão / não cabe no poema. O preço/ do arroz/ não cabe no poema. Não cabem no poema o gás/ a luz o telefone/ a sonegação/ do leite/ da carne/ do açúcar / do pão / O funcionário público/ não cabe no poema/ com seu salário de fome/ sua vida fechada/ em arquivos./ Como não cabe no poema / o operário/ que esmerilha seu dia de aço/ e carvão / nas oficinas escuras/ - porque o poema, senhores,/ está fechado:/ "não há vagas"/ Só cabe no poema/ o homem sem estômago/ a mulher de nuvens/ a fruta sem preço/ O poema, senhores, /não fede/ nem cheira

GULLAR, Ferreira. Não há vagas. In: Toda Poesia. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1980. p. 224.

Ferreira Gullar é um poeta brasileiro que se destacou, entre outras coisas, por ter dado engajamento à sua poesia. Os versos acima fazem uma dura crítica a um tipo de sociedade. Essa crítica assemelha-se àquela que Marx fez ao idealismo hegeliano, que sugere a superação do modo de produção capitalista, por meio do método do materialismo histórico e dialético.

Sintetize a crítica marxiana ao hegelianismo, utilizando, para tanto, o método de Marx e o poema de Gullar. Discorra sobre, pelo menos, cinco aspectos.