O Navio Negreiro
Era um sonho dantesco... o tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho.
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar de açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar...
Negras mulheres, suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Regam o sangue das mães:
Outras moças, mas nuas e espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs!
E ri-se a orquestra irônica, estridente...
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais ...
Se o velho arqueja, se no chão resvala,
Ouvem-se gritos... o chicote estala.
E voam mais e mais...
Presa nos elos de uma só cadeia,
A multidão faminta cambaleia,
E chora e dança ali!
Um de raiva delira, outro enlouquece,
Outro, que martírios embrutece,
Cantando, geme e ri!
ALVES, Castro. Disponível em: <http://www3.universia.com.br/ conteúdo/literatura/O_navio_negreiro_de_castro_alves.pdf>.
Acesso em: 22/5/2014, com adaptações.
Acerca das questões gramaticais e semânticas que envolvem as estrofes 2 e 3 do poema e das regras prescritas pela norma-padrão, julgue o item a seguir.
Na 2° estrofe, o verbo da oração “Regam o sangue das mães” tem como referente “Magras crianças”, que aparece no verso anterior.