Questão
Universidade Federal do Paraná - UFPR
2005
2ª Fase
4000295507
Discursiva
(PROPOSTA DE REDAÇÃO)

Leia a continuação da entrevista com Tostão, em que ele comenta sua participação na Copa de 1970.

Entrevistador: A Copa de 70 foi usada de um jeito meio sombrio: uma felicidade nacional imensa numa época muito dura do país, que marcou talvez o pior momento do regime militar. E a Copa foi, digamos, a estampa desse governo Médici. Como isso soava entre vocês, havia conversas sobre isso? Você teve algum tipo de vergonha pessoal pela forma com que a vitória foi utilizada?

Tostão: Não houve conversa. Principalmente depois do Saldanha* sair, porque o Saldanha gostava muito de conversar sobre essas coisas. É aquilo que eu falei. Acho que houve algum problema político também com ele. Agora, na verdade, a maioria absoluta dos jogadores era alheia à situação política do país.

Entrevistador: Pelé também?

Tostão: A princípio, sim. Quer dizer, eu nunca vi uma posição dele assim mais pública, não é? Com raras exceções, a maior parte estava preocupada com o problema do futebol, em ganhar o jogo com a sua profissão – problemas políticos à parte. Confesso que isso me incomodava demais. Eu tinha na época ideais políticos. Não participava porque, por várias vezes, era difícil participar. Mas na intimidade, com meus amigos, minha família, era extremamente contra o regime que tinha no país. Agora ali, durante a Copa, os preparativos, minha atenção era toda no futebol. Eu achava que isso não podia atrapalhar minha atividade, a minha profissão. Eram duas coisas separadas. A minha intenção ali era fazer o melhor. Depois que passou, que eu vi que aquilo foi o que estava sendo, é então que a gente percebe que aquilo teve um valor político grande. Isso me deixou muito incomodado. Por exemplo, eu me arrependi muito quando nós voltamos do México e fomos recebidos pelo Médici em Brasília, aquele negócio todo. Eu me critiquei muito por ter ido lá. Naquela época, aquilo era o de menos. O que contava era a festa, aquele oba-oba, toda a alegria de ter ganho a Copa. Mas...

(Novos Estudos CEBRAP, n. 37, p. 103-112, nov. 1993.)

*João Saldanha era o treinador da seleção brasileira de futebol nas eliminatórias para a Copa de 70. Depois de o time ser classificado, foi substituído por Zagalo. Não ficou bem esclarecido, na época, o motivo dessa substituição. Alguns atribuíram essa decisão ao General Médici, então presidente da República.

Esse trecho da entrevista faz o registro do relato dos acontecimentos feito oralmente por Tostão. Sintetize as informações contidas nas perguntas e respostas desse trecho, organize-as e apresente-as em um texto de, no máximo, 10 linhas, redigido em terceira pessoa e em linguagem adequada às normas do português escrito. NÃO atribua título ao texto.