Questão
Universidade Estadual Paulista - UNESP
2003
1ª Fase
4000165996
Discursiva
(PROPOSTA DE REDAÇÃO)

Leia os três textos a seguir. 

Texto 1 

Indo pouco à cidade, evitando andar pelas ruas cheias de calor e imprevistos, não o tenho visto. Mas sempre me encontrava com ele, ex-colega de seminário, que não aguentar aos estudos e saíra para ganhar a vida aqui no mundo como garçom numa confeitaria de luxo, na Cinelândia dos velhos tempos. 

Chamava-se Ricardo, era bem apessoado e bastante religioso. Queria realmente ser padre, mas a cabeça não o ajudava a aprender as declinações latinas, os concílios plenários de Nicéia em diante, os nomes dos rios da margem esquerda do Amazonas –e os da margem direita também. Até que um professor de história pediu que ele fosse embora, abandonasse de vez os estudos, tentasse ser bom cristão, mas exercendo outro ofício. 

Ele nunca esqueceu a gota d’água que fez o professor perder a paciência: depois de uma aula sobre o império Romano, foi perguntado em que ano morrera Agripina. Para ajudá-lo, o professor lembrou-lhe a idade de Cristo, 33 anos. Nem assim Ricardo acertou o ano em que morrera a mãe de Calígula. (...) 

Para servir “waffles” com ice-cream de morango ele não precisava saber disso. E sempre que eu o via, vestido de branco, com um enorme avental com a logomarca da confeitaria no peito, pensava nas coisas inúteis que nos obrigam a aprender. (...) 

(Carlos Heitor Cony, Folha de S.Paulo, 12.04.2003.) 

Texto 2 

Uma aula é um prato de saberes/sabores que ele (o professor) serve. E os alunos devem comer. E tem muita comida gostosa. Mas, infelizmente, eles são como cozinheiros do exército: são obrigados a cozinhar o que o general manda. É o general que determina o menu que, nas escolas, se chama currículo. O currículo é o conjunto de pratos que os alunos devem comer e digerir. Os cozinheiros/professores, se pudessem, fariam outros pratos. Mas é preciso cumprir o programa e eles são obrigados a servir muitos pratos indigestos e sem sabor, com dígrafos, encontros consonantais, fases de mitose, logaritmos, causas de guerras esquecidas... Esses pratos só são comidos sob ameaça, mas os alunos, logo que têm liberdade para comer à la carte, jamais os pedem e os esquecem para sempre. 

(Rubem Alves, O Amor que Acende a Lua.) 

Texto 3 

A realização tem que ser baseada nos pontos fortes do estudante –como sabem, há milênios, todos os professores de artistas, todos os treinadores de atletas, todos os mentores. Na verdade, encontrar os pontos fortes do estudante e focalizá-los na realização é a melhor definição de professor e de ensinar. É a definição que está no “Diálogo do Professor”, escrito por um dos maiores professores da tradição ocidental, Santo Agostinho de Hipona (354-430). 

É claro que as escolas e seus professores sabem disso. Mas eles raramente puderam focalizar os pontos fortes dos estudantes e desafiá-los. Em vez disso, eles sempre tiveram que focalizar os pontos fracos. Quase todo o tempo, nas salas de aula tradicionais do ocidente –pelo menos até o curso de graduação na universidade –é gasto na correção de pontos fracos. É gasto na produção de mediocridade respeitável. 

(Peter Drucker, Sociedade Pós-Capitalista.)

PROPOSTA DE REDAÇÃO

Com base na leitura dos textos apresentados, escreva um texto dissertativo que deverá ter o seguinte título: 

A ESCOLA E A VIDA –O QUE É IMPORTANTE APRENDER.

Sua redação deverá ser redigida em prosa e obedecer aos padrões da norma culta do português do Brasil.