Questão
Universidade Estadual do Centro-Oeste - Unicentro
2015
Fase Única
4000080881
Discursiva
(PROPOSTA DE REDAÇÃO)

TEMA 1

Leia o texto a seguir.

O poder de processamento de um supercomputador dos anos 1990 está agora disponível em computadores pequenos, baratos, versáteis e interconectados, como os smartphones. Incrivelmente capazes de armazenar e interpretar informações, essas novas máquinas estão revolucionando o ambiente de trabalho – e isso afeta diretamente seu emprego. “Cerca de 47% das profissões correm risco”, disse à Época Carl Frey, doutor em economia da Universidade de Oxford, autor do estudo O Futuro do Emprego. Frey e Michael Osborne, professor de ciência de engenharia da Oxford, avaliaram tarefas cotidianas de mais de 700 ocupações para identificar o que uma máquina poderá fazer melhor que os humanos nas próximas duas décadas. Chegaram a um índice que varia entre 0 (nenhum risco de substituição) e 100% (risco total). As profissões mais ameaçadas estão nas áreas de logística, escritório e produção, aquelas que envolvem tarefas intelectualmente repetitivas. Embora o estudo seja baseado no mercado de trabalho dos Estados Unidos, suas conclusões são aplicáveis mundialmente. “Trocar profissionais por máquinas no Brasil é, em tese, menos atraente do que nos Estados Unidos, porque os salários são mais baixos”, diz Frey. “Mas o custo da automação está caindo tão rapidamente que a tendência deverá se manifestar nos dois países quase ao mesmo tempo”.

(Adaptado de: MOURA, M. Seu trabalho tem futuro? Época. Editora Globo. n.821. 24 fev. 2014. p.58-66.)

Reflita sobre os pontos de vista apresentados e elabore uma dissertação, que aborde a questão da substituição dos profissionais por máquinas na sociedade brasileira. 

TEMA 2

Leia os textos a seguir.

Há um mês, no Peru, o volante Tinga, do Cruzeiro, campeão brasileiro de futebol, foi recebido, ao entrar em campo contra o Real Garcilaso, pela Libertadores da América, com a imitação coletiva de macacos pela torcida adversária. A crônica esportiva em peso lamentou a impunidade reinante nos domínios da Conmebol – entidade que congrega as confederações nacionais do velho esporte bretão nos países da América do Sul – pela manifestação coletiva de intolerância racial vinda das arquibancadas.

(Adaptado de: NÊUMANNE, J. Chovendo no molhado sem encher a represa. O Estado de São Paulo. n.43975. ano 135. 12 mar. 2014. Espaço Aberto. A2.) 

Caso do ator negro preso por um crime que não cometeu mostra como o racismo ainda é latente no Brasil. 

Vinícius Romão tem 26 anos de idade, acabou de se formar em Psicologia, trabalha em uma loja de roupas e também é ator. Apaixonado pelo Flamengo, é aficionado por hip-hop e muito vaidoso. Seria um jovem como tantos outros, não fosse por um detalhe: Romão é negro e muitos acreditam que foi a cor da sua pele que o levou a protagonizar um triste episódio. Ele passou 16 dias preso na Casa de Detenção Patrícia Acioli, em São Gonçalo, região metropolitana do Rio de Janeiro, acusado de um crime que não cometeu. Faltou rigor na apuração da Polícia Civil e do Ministério Público quando a copeira Dalva dos Santos apontou o ator como o ladrão que, na noite de segunda-feira, 10 de fevereiro, havia levado sua bolsa, na zona norte. Somente na quarta-feira, dia 26, ele foi solto, depois que Dalva reconheceu o erro. “Minha vida começou
de novo. Aprendi a aproveitar cada minuto, a dar valor até mesmo ao ato de pegar uma garrafa d’água na geladeira”.

(Adaptado de: BRUGGER, M. 16 Dias de Calvário. IstoÉ. Editora Três. n.2310, ano 38. 5 mar. 2014. p.43.)

Com base na leitura das duas reportagens, discuta a latência do pensamento racista presente na sociedade brasileira do século XXI. 

TEMA 3

Leia o texto a seguir, que aborda o tema dos Direitos Humanos.

Homem foi agredido com uma barra de ferro, amarrado e arrastado pela rua. Polícia impediu o linchamento, mas ignorou os agressores.

A ação de “justiceiros” volta a assustar a população do Estado do Rio de Janeiro. Um homem acusado de ter roubado um botijão de gás e uma televisão foi brutalmente espancado em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro, na manhã de terça-feira. Magno Nogueira da Conceição teve mãos e pés amarrados, foi arrastado e agredido por moradores de Jardim Catarina, bairro pobre dominado pelo tráfico de drogas, às margens da BR-101. Esse foi o terceiro caso de justiçamento no Rio de Janeiro em menos de 30 dias. Em 23 de janeiro, um homem acusado de praticar roubos foi executado com um tiro na cabeça em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. No início do mês, um jovem de 15 anos de idade foi espancado e preso a um poste, no Flamengo, na Zona Sul do Rio de Janeiro, por jovens que o acusavam de cometer furtos na região.

(Adaptado de: OLIVEIRA, P. “Justiceiros” espancam acusado de roubo em São Gonçalo. Disponível em: <http://veja.abril.com.br/ noticia/brasil/acusado-de-roubo-e-amarrado-e-espancado-em-sao-goncalo>. Acesso em: 1 abr. 2014.)

Com base na leitura do texto, produza uma dissertação argumentativa que discuta a questão da “justiça com as próprias mãos”.