Questão
Simulado UNESP
2022
1ª Fase
4000237750
Discursiva
(PROPOSTA DE REDAÇÃO)

Definição de “plataforma digital”: 

Um modelo de negócio que usa a tecnologia para conectar pessoas, organizações e recursos em um ecossistema interativo, no qual podem ser criadas e trocadas quantidades incríveis de valor. A plataforma oferece uma infraestrutura para tais interações e estabelece condições de funcionamento para elas. 

Características das plataformas digitais 

Uma plataforma digital precisa necessariamente ser composta de alguns elementos chave: 

• Dois grupos que podem criar valor entre si, mas que sem a plataforma não conseguem criar valor na mesma proporção. Por exemplo, motoristas e passageiros no Uber, anfitriões e turistas no AirBnB, restaurantes, entregadores e consumidores no iFood, anunciantes e canais de mídia no Google. 

• Uma infraestrutura de tecnologia capaz de suportar a interação com uma experiência de usuário superior a outros meios. 

• A mobilização das suas redes sob a forma de uma comunidade que se mobiliza em torno da plataforma, gerando feedbacks contínuos e melhorias 

• Os ativos mobilizados são da comunidade, e não da plataforma, que ganha na intermediação. 

Este último aspecto é importante porque sustenta o meme “Uber não tem nenhum carro, AirBnB não tem nenhum hotel, Youtube não tem nenhum estúdio (na verdade tem, os YouTube Spaces)”. O negócio da plataforma não é acumular patrimônio, mas articular uma rede de pessoas e empresas. 

Adaptado https://inovacao-aberta.com/o-que-sao-plataformas-digitais/ 

Os Estados Unidos estão em chamas e Donald Trump, com a sua conhecida delinquência política, exortou as forças de segurança a dispararem. O Twitter sinalizou as palavras do presidente como “glorificação da violência”. 

Alguns dias antes, o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, escreveu na sua conta de Twitter que Israel era um “tumor cancerígeno” que será “desenraizado” e “destruído”. O Twitter nada fez com essa proclamação genocida. 

Perante esses dois casos, existem três opções: a) o Twitter agiu bem, censurando Trump mas poupando Khamenei; b) o Twitter agiu mal, porque deveria ter censurado ambos; c) o Twitter agiu mal, porque não se deve censurar ninguém. 

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/joaopereiracoutinho/2020/06/censura-do-twitter-a-trump-e-tolerancia-a-aiatola-e-contradicao-letal.shtml 

'O poder que as plataformas digitais têm sobre o discurso é também econômico', diz pesquisadora 

Para a pesquisadora Clara Iglesias Keller, decisões de moderação de figuras políticas é resultado de falta de ação de governos na regulação das gigantes de mídias sociais. 

A moderação de conteúdos nas redes sociais nunca esteve sob tantos holofotes. Impulsionado em parte pela desinformação sobre a pandemia, as decisões das plataformas de suspender ou banir os perfis do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aumentou o debate sobre o poder das plataformas digitais. 

Para a especialista em políticas de digitalização Clara Iglesias Keller, coordenadora de estudos sobre desinformação digital no Instituto de Pesquisa de Mídias de Leibniz, na Alemanha, as decisões de moderação de figuras políticas é resultado de falta de ação de governos na regulação dessas empresas. 

https://g1.globo.com/economia/tecnologia/noticia/2021/03/07/o-poder-que-as-plataformas-digitais-tem-sobre-o-discurso-e-tambem-economico-diz pesquisadora.ghtml

Google boicota e ameaça jornais da Austrália que exigem remuneração pelo conteúdo utilizado 

A gigante americana começou a retirar postagens novas dos jornais e colocar apenas links velhos para prejudicar a audiência 

As big techs se tornaram ditaduras e, por isso, se consideram acima das leis dos Estados nacionais. Mas as reações estão cada vez mais fortes em vários locais do mundo. Na Austrália, o Parlamento está prestes a aprovar um projeto que obriga as plataformas digitais a pagarem pelo conteúdo surrupiado — talvez seja o termo preciso — nos jornais. Mas exatamente no país do escritor nobelizado Patrick White, o Google decidiu reagir, boicotando os jornais que exigem receber recursos financeiros pelo conteúdo utilizado pela múlti. A repórter Miranda Ward, do “Australian Financial Review”, denunciou que a gigante americana estava “experimentando com seu algoritmo para remover matérias de veículos noticiosos australianos de seus resultados” (Nelson Sá, da “Folha de S. Paulo”, é quem relata a história no Brasil). 

A jornalista descobriu, conta Nelson de Sá, que “a busca por conteúdos do próprio ‘Financial Review’ ou do ‘Sydney Morning Herald’ trazia somente links velhos ou de outras fontes”. O Google está trabalhando, de maneira orgânica, para reduzir a leitura de jornais que decidiram enfrentar seu, digamos, rufianismo sofisticado. 

Ao ser procurado pela repórter Miranda Ward, o Google não negou a tática. “Estamos fazendo alguns experimentos que vão alcançar cerca de 1% dos usuários da Austrália, para medir o impacto das empresas noticiosas e do Google Search, um sobre o outro”, frisa a empresa. O texto da “Folha” não diz isto, mas possivelmente o Google está sugerindo que, sem seu “amparo”, a audiência dos jornais australianos deve cair. 

A ação do Google foi interpretada corretamente pelos jornais e pelas autoridades australianos: trata-se de um “experimento de censura” imposto por “um monopólio privado” (Nelson de Sá sublinha que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos trata o Google assim). O Google “controla 95% das buscas” na Austrália. 

https://www.jornalopcao.com.br/colunas-e-blogs/imprensa/google-boicota-e-ameaca-jornais-da-australia-que-exigem-remuneracao-pelo-conteudo-utilizado-308304/ 

É preciso rever imunidade das plataformas, diz professor associado em Harvard 

Virgílio Almeida defende sistema de governança da internet diferente do modelo chinês e do Vale do Silício 

SÃO PAULO 

Para Virgílio Almeida, professor associado do Berkman Klein Center para Internet e Sociedade na Universidade Harvard, rever legislações que isentam redes sociais de responsabilidade pelo conteúdo criado pelos usuários é essencial —ainda que as big techs, como Facebook e Twitter, afirmem que a mudança geraria autocensura e restrição da liberdade de expressão na internet. 

“Já que empresas de tecnologia são as beneficiárias mais diretas da Seção 230 [legislação americana que as isenta de responsabilidade por conteúdo de terceiros], seria interessante considerar que elas têm a responsabilidade de mostrar que essa imunidade extraordinária é usada em benefício da sociedade”, diz Almeida, professor emérito de Ciência da Computação na Universidade Federal de Minas Gerais. 

Segundo ele, uma regulação que exija maior transparência no funcionamento dos algoritmos, o que ajudaria a sociedade a entender de que maneira as informações são priorizadas nas redes sociais, é muito importante. Almeida diz ser necessário ter um sistema de governança da internet que fuja tanto do modelo chinês, de grande intervenção do Estado, como o do Vale do Silício, em que não há regulação e tudo fica a cargo do mercado. 

“Mas qualquer ajuste deve ser sujeito a revisão rigorosa de como impacta o ecossistema de informação”, diz o professor, um dos mais respeitados especialistas mundiais em governança na internet e algoritmos.




https://www.nsctotal.com.br/noticias/facebook-remove-contas-ligadas-ao-governo

Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva um texto dissertativo-argumentativo, empregando a norma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema:

Plataformas digitais: é preciso rever a imunidade?