Questão
Universidade Estadual do Ceará - UECE
2014
2ª Fase
4000126958
Discursiva
(PROPOSTA DE REDAÇÃO)

Considerando a perspectiva de reflexão sobre a realidade, que vem orientando as propostas de escrita dos vestibulares da UECE, propomos, como ponto de partida para o desenvolvimento desta prova, o tema geral MITO, um conceito abrangente que pode ser abordado sob diferentes pontos de vista.  

Como primeiro procedimento para o desenvolvimento de sua prova, leia os textos de 1 a 5, que tratam dessa temática de forma direta ou indireta.  

Texto 1 

Mito 

- relato fantástico [...] protagonizado por seres que encarnam, sob forma simbólica, as forças da natureza e os aspectos gerais da condição humana; lenda, fábula, mitologia 
- representação de fatos e/ou personagens históricos, freq. deformados, amplificados através do imaginário coletivo e de longas tradições literárias orais ou escritas 
- exposição alegórica de uma ideia qualquer, de uma doutrina ou teoria filosófica; fábula, alegoria - construção mental de algo idealizado, sem comprovação prática; ideia, estereótipo 
- valor social ou moral questionável, porém decisivo para o comportamento dos grupos humanos em determinada época; mitologia 
- afirmação fantasiosa, inverídica, que é disseminada com fins de dominação, difamatórios, propagandísticos, como guerra psicológica ou ideológica; mitologia  

Adaptado de Houaiss, p. 1936. 

Texto 2 

No texto “Desafios da ética”, que aborda a ética no jornalismo, os autores Miguel Pereira e Fernando Ferreira afirmam: “No momento em que o jornalista escolhe uma pauta ou recebe uma de seu editor, começam seus dilemas éticos. Não exatamente pelo conteúdo de seu tema, mas pelos métodos que elabora para a sua apuração. É comum o uso do que está à mão como primeira investida. No entanto, a checagem correta da informação exige o rigor absoluto da verdade como norma da ação investigativa. Descobrir essa verdade, encontrar as provas, enfim, buscar, com isenção, o melhor caminho para revelar os fatos ao leitor, telespectador ou ouvinte é a obrigação primeira do jornalista. É o seu imperativo ético”. 

(Em: Caldas, Álvaro (org.). Deu no jornal: o jornalismo impresso na era da Internet. – Ed. PUC-Rio; Loyola, 2002, p. 197).http://www.opovo.com.br/app/opovo/opiniao/2014/01/18/noticiasjornalopiniao,3192924/um-olhar-critico-sobre-o jornal.shtml
 
Texto 3 

Vivemos uma etapa da história em que somos bombardeados a todo momento por um excesso de informações, não raras vezes díspares e contraditórias, a ponto de, em determinadas circunstâncias, ficarmos sem saber mesmo em que ou em quem acreditar. Diante de tal situação, os meios de comunicação de massa desempenham um papel importantíssimo como veículos privilegiados de disseminação da informação. Ao tempo em que noticiam fatos e acontecimentos, atuam também como formadores de opinião. Nesse sentido, o seu papel é de capital importância. Não se deve olvidar que as informações nem sempre são objetivas ou isentas. As empresas de comunicação estão imersas em uma sociedade movida por interesses de natureza política, financeira etc. Tais interesses, em certos momentos, podem comprometer seriamente o enfoque adotado em face da informação levada a público. 

http://www.opovo.com.br/app/opovo/opiniao/2014/01/18/noticiasjornalopiniao,3192924/um-olhar-critico-sobre-o jornal.shtml

Texto 4

Chapeuzinho Amarelo – poema de Chico Buarque de Holanda 

Era a Chapeuzinho Amarelo 
Amarelada de medo 
Tinha medo de tudo, aquela Chapeuzinho. 

Já não ria 
Em festa, não aparecia 
Não subia escada, nem descia 
Não estava resfriada, mas tossia 
Ouvia conto de fada, e estremecia 
Não brincava mais de nada, nem de amarelinha 

Tinha medo de trovão 
Minhoca, pra ela, era cobra 
E nunca apanhava sol, porque tinha medo da sombra 

Não ia pra fora pra não se sujar 
Não tomava sopa pra não ensopar 
Não tomava banho pra não descolar 
Não falava nada pra não engasgar 
Não ficava em pé com medo de cair 
Então vivia parada, deitada, mas sem dormir, com medo de pesadelo 
Era a Chapeuzinho Amarelo… 

E de todos os medos que tinha 
O medo mais que medonho era o medo do tal do LOBO. 
Um LOBO que nunca se via, 
que morava lá pra longe, 
do outro lado da montanha, 
num buraco da Alemanha, 
cheio de teia de aranha, 
numa terra tão estranha, 
que vai ver que o tal do LOBO 
nem existia. 

Mesmo assim a Chapeuzinho 
tinha cada vez mais medo do medo do medo do medo de um dia encontrar um LOBO 
Um LOBO que não existia. 

E Chapeuzinho amarelo, 
de tanto pensar no LOBO, 
de tanto sonhar com o LOBO, 
de tanto esperar o LOBO, 
um dia topou com ele 
que era assim: 
carão de LOBO, 
olhão de LOBO, 
jeitão de LOBO, 
e principalmente um bocão 
tão grande que era capaz de comer duas avós, um caçador, rei, princesa, sete panelas de arroz… e um chapéu de sobremesa.

Mas o engraçado é que,
assim que encontrou o LOBO,
a Chapeuzinho Amarelo
foi perdendo aquele medo:
o medo do medo do medo do medo que tinha do LOBO.

Foi ficando só com um pouco de medo daquele lobo.
Depois acabou o medo e ela ficou só com o lobo.

O lobo ficou chateado de ver aquela menina
olhando pra cara dele,
só que sem o medo dele.

Ficou mesmo envergonhado, triste, murcho e branco- azedo,
porque um lobo, tirado o medo, é um arremedo de lobo.
É feito um lobo sem pelo.
Um lobo pelado.

O lobo ficou chateado.
Ele gritou: sou um LOBO!
Mas a Chapeuzinho, nada.
E ele gritou: EU SOU UM LOBO!!!
E a Chapeuzinho deu risada.
E ele berrou: EU SOU UM LOBO!!!!!!!!!!

Chapeuzinho, já meio enjoada,
com vontade de brincar de outra coisa.
Ele então gritou bem forte aquele seu nome de LOBO
umas vinte e cinco vezes,
que era pro medo ir voltando e a menininha saber
com quem não estava falando:

LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO
Aí, Chapeuzinho encheu e disse:
“Pára assim! Agora! Já! Do jeito que você tá!”
E o lobo parado assim, do jeito que o lobo estava, já não era mais um LO-BO.

Era um BO-LO.

Um bolo de lobo fofo, tremendo que nem pudim, com medo de Chapeuzim.

Com medo de ser comido, com vela e tudo, inteirim.

Chapeuzinho não comeu aquele bolo de lobo,
porque sempre preferiu de chocolate.
Aliás, ela agora come de tudo, menos sola de sapato.
Não tem mais medo de chuva, nem foge de carrapato.
Cai, levanta, se machuca, vai à praia, entra no mato,
Trepa em árvore, rouba fruta, depois joga amarelinha,
com o primo da vizinha, com a filha do jornaleiro,
com a sobrinha da madrinha
e o neto do sapateiro.

Mesmo quando está sozinha, inventa uma brincadeira.
E transforma em companheiro cada medo que ela tinha:

[...]

Texto 5 




Ao ler o Texto 1, um verbete sobre MITO, você pôde constatar que as definições resumem-se a dois enfoques principais: (A) mito como elemento da fantasia e do lúdico (três primeiras definições);  (B) mito como falseamento da realidade (três últimas definições). 

Para desenvolver sua redação, você deve adotar um desses enfoques – (A) ou (B) –, que estão contemplados, respectivamente, nas sugestões de escrita 1 e 2, a seguir: 

Sugestão 1: Adotando o mesmo procedimento de Chico Buarque de Holanda, que no Texto 4 desconstrói o mito Chapeuzinho Vermelho (a menina inocente e o lobo mau), reescreva outra história (conto, fábula ou lenda) conhecida. (Observação: a narrativa deve ser escrita em prosa, NÃO em verso).  

Sugestão 2: Em um artigo de opinião, critique o que você considera um mito criado pelos meios de comunicação atuais usando argumentos para desconstruí-lo.