(PROPOSTA DE REDAÇÃO)
Texto1
Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), no Brasil há 5624 crianças aptas a serem adotadas. Para cada uma delas há seis adotantes (casais ou pessoas sozinhas) que poderiam ser seus pais (33633), mas não são.
De acordo com o juiz Reinaldo Cintra Torres de Carvalho, da Vara da Infância e Juventude do Foro Regional da Lapa, São Paulo, o motivo do descompasso é claro: “os futuros pais têm um sonho adotivo com a criança que irá constituir a família, e a maioria dos pais deseja recém-nascidos de pele clara”. Outros pais desejam especificamente um bebê, e não querem crianças com mais de um ano.
Ocorre que apenas 6% das crianças aptas a serem adotadas têm menos de um ano de idade, enquanto 87,42% têm mais de cinco anos, faixa etária aceita por apenas 11% dos pretendentes. A questão racial também pesa: 67,8% das crianças não são brancas, mas 26,33% dos futuros pais adotivos só aceitam crianças brancas.
O perfil das crianças na fila da adoção pode ser explicado por sua origem. A maior parte delas vem de setores vulneráveis da sociedade. Segundo Carvalho, os principais motivos que levam famílias a perderem seus menores são a negligência, o abandono e a violência física e sexual.
(Ingrid Matuoka. “Para cada criança na fila de adoção há seis famílias interessadas”. www.cartacapital.com.br, 08.06.2015. Adaptado.)
Texto 2
A raça ainda é um fator essencial na hora de uma família escolher uma criança. Segundo a juíza Andréa Pachá, titular da 1.ª Vara de Família de Petrópolis (RJ), “Ainda é forte a fantasia de que a adoção deve obedecer aos critérios da família biológica. Família é muito mais um núcleo de afeto do que herança biológica.
Criança é criança, não tem cor. O discurso que se tem é o de que a criança não pode se sentir diferente. Mas isso é uma forma de preconceito”, analisa.
Há ainda outras dissonâncias entre o perfil desejado pelos pais e as crianças disponíveis para a adoção, como a idade, os eventuais problemas de saúde e o fato de haver irmãos (nesses casos, não é recomendada a separação deles). Essas exigências têm impedido milhares de adoções no país.
(Carolina Brígido. “Quase metade dos adultos que querem adotar faz questão de escolher a cor da criança”. http://oglobo.globo.com, 24.01.2011. Adaptado.)
Texto 3
Receber uma criança de origem, muitas vezes, desconhecida, é um ato de amor e abnegação.
As crianças nos abrigos vêm, muitas vezes, de um passado de violência, abusos e privações severas em todos os sentidos. Algumas, inclusive, precisarão reaprender a confiar e a amar as figuras materna e paterna.
Os pais podem optar por restringir-se a um tipo de criança para adotar ou estar abertos a qualquer perfil. Para a supervisora da Vara da Infância do Distrito Federal, Niva Campos, a opção por crianças da mesma cor de pele na hora da adoção não caracteriza preconceito. “Eu diria que é um desejo que tem a ver com o narcisismo de cada um, com a história de vida de cada um. Para uns, isso vai ser muito importante, para outros adotantes não têm muita importância”.
Na opinião de Wagner Yamuto, administrador do site Adoção Brasil, é compreensível o fato de que quanto mais nova a criança, maiores as suas chances de ser adotada. “Podemos afirmar que a maior parte dos pretendentes adotam porque não podem gerar filhos da forma tradicional. Com isso, entra o desejo de ver a criança dar seus primeiros passos, [dizer] as primeiras palavras, [dar] o primeiro sorriso. Isso acontece nos primeiros meses de vida e não há como dizer que é preconceito e sim um desejo”.
(Marcelo Brandão. “Adotar significa abrir-se para uma nova aventura, no melhor sentido da palavra”. www.ebc.com.br, 12.05.2013. Adaptado.)
Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva uma dissertação, empregando a norma- -padrão da língua portuguesa, sobre o tema:
Restringir o perfil da criança para adoção é um ato preconceituoso?