Questão
Universidade Federal de Tocantins - UFT
2009
Fase Única
4000171235
Discursiva
PROPOSTA DE REDAÇÃO

TEMA: O tempo e o homem

[...]

De fato, a questão do “tempo” parece, e somente parece, ser extremamente simples e conhecida de todos, o próprio filósofo Agostinho de Hipona reconhece isso quando afirma:

Que assunto mais familiar e mais batido nas nossas conversas do que o tempo? Quando dele falamos compreendemos o que dizemos. Compreendemos também o que nos dizem quando dele nos falam.

Apenas como recurso didático e para comprovação das palavras de Agostinho, citaremos um texto canônico muito conhecido que versa sobre o tempo:

Tudo tem seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu: há tempo de nascer e tempo de morrer, tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou, tempo de matar e tempo de curar, tempo de derribar e tempo de edificar, tempo de chorar e tempo de rir, tempo de prantear e tempo de saltar de alegria, tempo de espalhar pedras e tempo de juntar pedras, tempo de abraçar e tempo de afastar-se de abraçar, tempo de buscar e tempo de perder, tempo de guardar e tempo de deitar fora, tempo de rasgar e tempo de coser, tempo de estar calado e tempo de falar, tempo de amar e tempo de aborrecer, tempo de guerra e tempo de paz.

O que há de intrigante e difícil nessas palavras transcritas do sábio? Absolutamente nada. Tudo está perfeitamente claro e respondido, até que se pergunte: O que é o Tempo?

Diante dessa pergunta que sabemos e ao mesmo tempo não sabemos a resposta, temos que assumir uma postura cautelosa e nutrir um forte desejo de refletir seriamente sobre o tema, como fez Agostinho quando perguntado pela sua mente brilhante:

Se ninguém me perguntar eu sei, porém, se quiser explicar a quem me perguntar, já não sei.

[...]

É pertinente lembrar ainda que o problema do tempo foi abordado e objeto de extremo esforço intelectual de vários pensadores reconhecidos pelo brilhantismo de suas mentes em suas respectivas épocas e áreas de conhecimentos, dos quais podemos citar rapidamente: Parmênedes, Heráclito, Demócrito, Platão, Aristóteles, Isaac Newton, Leibniz, Kant, Hegel, Albert Einstein, Henri Bérgson, Martin Heidegger e tantos outros.

Texto adaptado e disponível no sítio <http://www.mundodosfilosofos.com.br/fabio1.htm

Texto 2

[...]

Há um grande movimento na Europa hoje, chamado Slow Food. A Slow Food International Association - cujo símbolo é um caracol, tem sua base na Itália (o site é muito interessante. Veja-o! www.slowfood.com). O que o movimento Slow Food prega é que as pessoas devem comer e beber devagar, saboreando os alimentos, "curtindo" seu preparo, no convívio com a família, com amigos, sem pressa e com qualidade.

A idéia é a de se contrapor ao espírito do Fast Food [refeição rápida; lanche] e o que ele representa como estilo de vida que o americano endeusificou. A surpresa, porém, é que esse movimento do Slow Food está servindo de base para um movimento mais amplo chamado Slow Europe como salientou a revista Business Week numa edição européia. A base de tudo está no questionamento da "pressa" e da "loucura" gerada pela globalização, pelo apelo à "quantidade do ter" em contraposição à qualidade de vida ou à "qualidade do ser". [...]

Texto adaptado e disponível no sítio http://jperegrino.com.br/Artigos/2006/slow_down.htm

Texto 3

Paciência

Lenine Composição: Lenine e Dudu Falcão

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não pára...

Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara...

Enquanto todo mundo
Espera a cura do mal
E a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência...

O mundo vai girando
Cada vez mais veloz
A gente espera do mundo
E o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência...

Será que é tempo
Que lhe falta prá perceber?
Será que temos esse tempo
Prá perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Mesmo quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não pára
A vida não pára não...

Será que é tempo
Que lhe falta prá perceber?
Será que temos esse tempo
Prá perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não pára
A vida não pára não...

A vida não pára!...
A vida é tão rara!... 

Letra disponível no sítio http://letras.terra.com.br/lenine/47001/.

Desde a antigüidade, até os dias de hoje, o tempo sempre intrigou o homem. Na coletânea acima, há várias referências ao tempo. Com base nos textos, redija uma dissertação argumentando sobre essa relação tempo e homem.