PROPOSTA DE REDAÇÃO
Proposta 1
Na escola em que você estuda, um grupo de pais religiosos se revoltou contra o ensino da teoria da evolução de Darwin como explicação do surgimento do homem. Exigiram que a matéria fosse retirada do currículo ou que o criacionismo fosse incluído como teoria científica. Você e um grupo de alunos do terceiro ano do Ensino Médio, preocupados com a possível perda de conteúdo, resolveram fazer uma carta aberta na qual vocês:
- Defendam o conhecimento científico sem menosprezar a fé.
- Reconheçam o direito à fé.
- Proponham algum tipo de conciliação.
Para escrever seu texto, leve em conta a coletânea apresentada a seguir.
Texto 1
Fé religiosa e racionalismo da ciência podem caminhar juntos
Um cientista pode ser uma pessoa religiosa? Para quatro cientistas entrevistados pela ComCiência a resposta é sim. Eles acreditam que este binômio não é conflitante e que é possível conciliar o racionalismo da ciência com a fé religiosa. A discussão é antiga, mas nem sempre as relações entre ambos foram conflituosas, nem na área acadêmica nem na área religiosa. A partir do momento que a ciência moderna, que apareceu no Ocidente no século XVII, se apoiou na observação do mundo, houve uma aparente ruptura entre aquilo que os livros sagrados diziam e aquilo que era observado na natureza.
Com a publicação de A origem das espécies, de Charles Darwin, em 1859, foi estimulada uma nova visão sobre a criação do mundo: não mais aquela de que tudo teria sido criado ao longo de um determinado período, como ensinava a Bíblia. Desde então, muitos cientistas acataram essa nova visão do mundo e passaram a ter uma relação antagônica com a fé, como mostram três pesquisas desenvolvidas ao longo do século XX.
Católico, Paiva aos 67 anos acredita que a religião é um conjunto de símbolos, linguagens, ritos e atos, estabelecidos cultural e socialmente, e apropriados subjetivamente pela pessoa. "Um cientista pode ser uma pessoa religiosa porque a ciência é apenas uma das referências para uma decisão englobante da vida como a religião e a irreligião", diz Paiva. Ele analisa a questão desse binômio, afirmando que teoria científica é teoria científica; religião é religião. "A ciência trata dos fenômenos da natureza e de suas leis. A religião trata da relação com Deus. Tanto faz se o homem foi criado diretamente por Deus ou se apareceu por obra da evolução", explica.
Apesar de existir cientistas que conseguem conciliar a ciência com a fé, alguns procuram a unicidade nesta relação. É o caso, por exemplo, das correntes holísticas que procuram restabelecer nexos que foram desnecessariamente rompidos, embora em níveis epistemológicos distintos. Entre os representantes mais populares dessas correntes estão o físico austríaco Fritjof Capra e o médico indiano Deepak Chopra.
https://www.comciencia.br/dossies-1-72/200407/reportagens/08.shtml
(...)
Texto 2
A oposição teológica à teoria da evolução de Darwin não é nada de novo. Quando a Origem das Espécies foi publicada em 1859, atraiu imediatamente críticas de membros da Igreja na Inglaterra. A razão é óbvia: a teoria de Darwin sustenta que todas as espécies atuais, incluindo os seres humanos, descenderam de ancestrais em comum ao longo de um vasto período de tempo. Essa teoria claramente contradiz o Livro do Gênesis, que diz que Deus criou todos os seres vivos em um período de seis dias. Então parece não haver meio termo: ou você acredita em Darwin ou você acredita na Bíblia, mas não em ambos. No entanto, muitos seguidores comprometidos de Darwin encontraram maneiras de reconciliar sua fé cristã com sua crença na evolução — incluindo vários eminentes biólogos. Uma maneira é simplesmente não pensar muito no choque entre as duas coisas. Outra, intelectualmente mais honesta, é argumentar que o Livro do Gênesis não deveria ser interpretado literalmente — deveria ser tomado como alegórico, ou simbólico. Pois, afinal de contas, a teoria de Darwin é perfeitamente compatível com a existência de Deus, e com muitos outros dogmas do cristianismo. É apenas a verdade literal da estória bíblica da criação que o darwinismo descarta. Portanto, uma versão apropriadamente atenuada do cristianismo pode se mostrar compatível com o darwinismo.
Entretanto, nos Estados Unidos, particularmente nos estados do sul, muitos protestantes evangélicos não se mostraram dispostos a ajustar as suas crenças religiosas para que se harmonizassem com as descobertas científicas. Insistem que a versão bíblica da criação é literalmente verdadeira, e que, portanto, a teoria da evolução de Darwin está completamente errada. Essa opinião é conhecida como “criacionismo”, e é aceita por cerca de 40% da população adulta dos Estados Unidos, uma proporção muito superior à da Grã-Bretanha e da Europa.
(...)
Embora os argumentos dos cientistas da criação sejam todos fracos, a controvérsia entre darwinistas e criacionistas levanta, de fato, questões importantes sobre a educação científica. Como deverá ser tratado, num sistema educativo secular, o conflito entre a ciência e a fé? Quem deve determinar o conteúdo das aulas de ciência nas escolas? Quem paga impostos deve ser ouvido quando se trata de decidir aquilo que será ensinado nas escolas públicas? Os pais que não querem que os seus filhos tenham aulas sobre evolução, ou sobre algum outro assunto científico, devem ser ignorados pelo Estado? Questões de políticas públicas como essas normalmente recebem pouca discussão, mas o choque entre darwinistas e criacionistas as trouxe para a pauta.
https://criticanarede.com/rel_criacionismo.html
Texto 3
O ensino de Ciências constitui uma das vias de conhecimento que favorecem a inovação de ideias e o interesse pelas descobertas científicas, pelos fenômenos físicos, químicos e biológicos, aproximando a ciência a partir de elementos que desenvolvam a capacidade crítica, a fim de influenciar escolhas.
O conhecimento científico está presente em quase todas as etapas da vida, sendo uma necessidade para a formação pessoal e profissional dos indivíduos. O ensino de Ciências proporciona ao aluno tomar decisões acerca do conhecimento científico e o seu papel social diante da sociedade. A importância do estudo de Ciências está na relação que o aluno cria e estabelece com o meio ambiente em que vive (Beuren; Baldo, 2015).
https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/21/38/a-importancia-do-ensino-de-ciencias-na-educacao-de-jovens-e-adultos.
Texto 4
Fábio Takahashi e Talita Bedinelli escrevem para a “Folha de SP”:
O Ministério da Educação tomou posição no debate relativo ao ensino do criacionismo nas escolas do país. Para o MEC, o modelo não deve ser apresentado em aulas de ciências, como fazem alguns colégios privados, em geral confessionais (ligados a uma crença religiosa).
"A nossa posição é objetiva: criacionismo pode e deve ser discutido nas aulas de religião, como visão teológica, nunca nas aulas de ciências", afirmou à Folha a secretária da Educação Básica do Ministério da Educação, Maria do Pilar. Apesar do posicionamento, o MEC diz não poder interferir no conteúdo ensinado pelas escolas, pois elas têm autonomia. Conforme informou o colunista da Folha Marcelo Leite no último dia 30, o colégio Mackenzie (presbiteriano) adotou neste ano apostilas que apresentam o criacionismo nas aulas de ciências nos anos iniciais do ensino fundamental. Outras escolas, como as adventistas, por exemplo, praticam opção semelhante.
https://www.fefd.ufg.br/n/7428-mec-diz-que-criacionismo-nao-e-tema-para-aula-de-ciencias
Proposta 2
Você estuda em uma Escola Pública, e os professores de Sociologia e Redação solicitaram aos alunos que, depois de uma aula sobre capital cultural, fosse entregue uma crônica em que a vestimenta tem um valor social. Você tinha acabado de ler uma reportagem sobre a surpreendente valorização do uniforme da escola pública no Tik Tok e resolve escrever uma crônica em forma de diálogo, no qual você imagina a conversa entre você, um aluno de escola pública obrigado a vestir o uniforme e um possível comprador da camisa, que é aluno de escola particular e gostaria de usar a “farda” como meio de ganhar likes na conta do Tik tok. Para tanto, você deverá:
- registrar o espanto pelo interesse pelo uniforme;
- contar uma história que revela o preconceito em relação ao uniforme no dia a dia;
- apresentar uma reflexão que ligue o que foi discutido ao valor social da vestimenta.
Para escrever seu texto, leve em conta a coletânea apresentada a seguir.
Texto 1
Farda da rede pública de ensino de Pernambuco vira tendência no TikTok; entenda
Fenômeno nasceu espontaneamente com coreografias de brega-funk e piseiro, ganhou amplitude nacional e hoje é a aposta de vários criadores digitais do estado
10:40 | Nov. 24, 2021
Grupos de jovens vestidos com a farda da rede pública de ensino de Pernambuco já fazem parte da paisagem dos municípios do estado. Nos últimos meses, eles estão aparecendo em smartphones de todo o país. A camiseta, que é distribuída gratuitamente para os matriculados, virou uma tendência no TikTok, aplicativo que mais cresce no mundo.
O fenômeno nasceu espontaneamente, com estudantes publicando as dancinhas virais do aplicativo durante intervalos ou após as aulas, principalmente coreografias do brega-funk ou do piseiro, ritmos nordestinos que possuem grande alcance na cultura digital.
Um caso emblemático é o de Hugo Moreira, 18, jovem de Araripina que gravou vídeo dançando a música "Rolê (Vai Beber, Vai Chorar, Vai Ligar)", de Tarcíso do Acordeón, com a amiga Thamires Lacerda na quadra da escola. O vídeo alcançou 50 milhões de visualizações no TikTok e hoje o pernambucano se apresenta como "o menino da escola".
Logo os usuários do TikTok de outros estados se questionaram: "que camisetas são essas?". Os pernambucanos também entenderam o apelo e passaram a produzir conteúdos com a farda. Basta buscar por "farda Pernambuco" na aba de pesquisa do aplicativo para encontrar vários conteúdos de dança e humor.
(..)
De fato, existem pessoas comercializando a farda, que tem distribuição gratuita. Ao pesquisar no Google, é possível achar uma camiseta de "farda para TikTok - Governo de Pernambuco " à venda na OLX. O vendedor diz morar em Alagoinha, no Agreste do estado.
Leia mais em: https://www.opovo.com.br/noticias/brasil/2021/11/24/farda-da-rede-publica-de-ensino-de-pernambuco-vira-tendencia-no-tiktok-entenda.html
Texto 2
Até hoje, Sarah, autodeclarada parda, lembra quando a segurança tentou barrar sua chegada, gritando em alto e bom som que ela não poderia acessar o interior da instituição “com aquela farda”. Era fim do horário escolar e pessoas com fardamento de escolas particulares circulavam no local tranquilamente. “Entendi que o meu uniforme não era só uma identificação da escola, mas também um marcador social”.
Ela pediu para ir até o banheiro para trocar de blusa: havia aprendido o hábito de carregar outra peça de roupa na bolsa, algo bem comum entre estudantes de escolas públicas, como veremos a seguir segundo o relato da própria Sarah:
“Quando ingressei na rede estadual de ensino, uma das primeiras coisas que percebi foi um certo tipo de ritual envolvendo a farda: os ‘novatos’ esperavam o recebimento do material escolar e podiam frequentar as aulas usando camiseta branca, enquanto os veteranos usavam o uniforme dentro da escola. Mas havia algo curioso: durante os primeiros dias, percebi que, no horário da saída, os banheiros ficavam abarrotados de gente para trocar de roupa. Com o passar dos dias, fui observando a existência da ‘roupa para sair’, que nem sempre estava guardada dentro das bolsas. Elas apareciam amarradas nas alças das mochilas ou usadas por baixo da farda para facilitar o processo de troca. Este era – e é – um hábito pouco comentado. Eu tinha 12 anos e fui entendendo que a minha farda não era bem-vinda nos lugares. Ninguém me falou nada sobre isso: eu simplesmente aprendi. Um episódio que me fez refletir bastante aconteceu quando fui a uma papelaria com um grupo de amigos. Todos estávamos de farda de escola pública. Chegando no estabelecimento, ouvimos o barulho vindo de um grupo de estudantes de outra escola, privada. Havia um segurança posicionado na entrada. Me distraí olhando os produtos e de repente uma amiga me puxou. ‘Vamos embora, rápido’. Eu não havia entendido bem a situação até perceber que o segurança estava atrás de nós com rádio na mão e um outro acabava de chegar para nos ‘acompanhar’. O outro grupo de estudantes, em maior quantidade que nós, continuava a falar alto. Eles usavam uma farda azul como a nossa, mas, enfim, elas não eram as mesmas. Eram 9 escolas em um bairro nobre, Graças, e só havia uma escola pública. Fomos embora. Pouco foi dito entre nós, mas não precisava. Entendemos que usar a farda era perigoso.
Pessoalmente, percebi que o problema não era uma camisa de algodão com as cores da bandeira do estado: o problema era o lugar que eu ocupava agora. Durante os cinco anos que estudei em escolas públicas, presenciei e vivi diversas situações no mínimo vexatórias e algumas caberiam em um processo judicial. É tudo muito sutil: te cercam, te seguem, passam rádio. Mas também pedem para olhar tua mochila. Na rua, as pessoas atravessam, colam a bolsa no corpo. Se tem muitos estudantes ‘do estado’ juntos, já entendem como um arrastão. Fazer algo contra isso era quase impossível. Por isso, antes de sair de casa com meus cadernos, livros e canetas, colocava também uma blusa na bolsa. Era mais seguro assim.”
https://theintercept.com/2022/07/26/o-uniforme-da-rede-publica-e-motivo-de-estigma-e-objeto-de-desejo-de-tiktokers/
Texto 3
Conceito formulado pelo sociólogo francês Pierre Bourdieu, a partir da década de 1960, tornou-se uma das categorias analíticas mais poderosas e mais utilizadas na pesquisa educacional contemporânea. Partindo do pressuposto de que o mundo social é multidimensional e que, portanto, os bens econômicos ou financeiros não constituem a única forma de riqueza que fundamenta a divisão da sociedade em classes ou estratos sociais, o autor forneceu, ao longo de sua obra, inúmeras e robustas evidências empíricas da existência de outros tipos de recursos que atuam na definição da posição ocupada por um indivíduo (ou por um de um grupo de indivíduos) no interior das hierarquias sociais. Ele defende que as diferenças relativas às condições materiais de existência se transmutam – por meio de um processo subjetivo de internalização de disposições e de competências – em diferenças no estilo de viver, isto é, na maneira de se usufruir os bens materiais possuídos, engendrando distinções simbólicas entre os indivíduos ou, em outras palavras, distinções relativas à posse de bens culturais.
https://gestrado.net.br/wp-content/uploads/2020/08/366-1.pdf