Questão
Universidade Federal de Tocantins - UFT
2022
Fase Única
4000270298
Discursiva
PROPOSTA DE REDAÇÃO

TEMA

Desafios das mulheres na ciência brasileira 

Texto I

Mulheres na ciência: os desafios da infância ao ambiente acadêmico

Quando falamos em mulheres ligadas à ciência, lembramos de nomes como Marie Curie, Nobel nas áreas de química e física, ou das cientistas brasileiras Carolina Bori ou Berta Lutz. Apesar de nomes expressivos, a quantidade de mulheres na ciência ainda é considerada desigual. Segundo o Escritório das Nações Unidas para o Espaço Exterior (Unoosa), em se tratando de pesquisas sobre ciência, tecnologia, engenharias e matemática, as mulheres representam 28,8% desta força de trabalho no mundo, enquanto os homens, 72,2%. A gerente de Programas da Organização das Nações Unidas (ONU) Mulheres, Ana Carolina Querino, atribui esta disparidade a um fenômeno mundial. Segundo ela, as desigualdades começam na primeira infância, mas continuam a ser desafio na vida adulta.

“A questão das mulheres serem as principais responsabilizadas pelas tarefas de cuidados vai promovendo interrupções e quebras na trajetória acadêmica das mulheres”, diz Ana Carolina Querino.

A dupla jornada de trabalho é apontada também em um estudo do Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast) como uma das principais causas para o afastamento da mulher da carreira científica. Para a professora do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e coordenadora do projeto Meninas na Ciência, Carolina Brito, a dupla jornada é apenas um dos pontos do chamado efeito tesoura. Além deste, ela aponta o preconceito em relação à atuação profissional das mulheres e “entraves no meio acadêmico que fazem a mulher achar que a área científica não é para ela’’, diz. “Quanto mais diversidade – mais qualidade e mais excelência na área’’, acrescenta a pesquisadora.

Segundo Kárin Menéndez-Delmestre, está dentro da escola, no apoio e orientação dos professores uma das soluções para incentivar a participação das mulheres em áreas científicas. A gerente da ONU Mulheres acredita que mudar este cenário depende de integração entre governo, iniciativa privada e escolas.

Fonte: ALVES, A. Mulheres na ciência: os desafios da infância ao ambiente acadêmico. 8/3/2020 (adaptado). Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2020-03/mulheres-na-ciencia-os-desafios-da-infancia-ao-ambiente-academico. Acesso em: 10 fev.2022.

Texto II

A sub-representação das mulheres na ciência da Região Norte: uma questão de gênero

Segundo Tavares e Parente (2014), por meio de dados das Universidades Federais da Região Norte do Brasil, referentes ao período de 2008 a 2012, a quantidade de mulheres, em comparação à de homens, vai diminuindo a cada etapa da carreira acadêmica, levando a quase inexistência de pesquisadoras contempladas com bolsa produtividade, principalmente, nas ciências duras [por exemplo, Ciências Exatas e Engenharias]. As causas desse fenômeno são atribuídas às questões de gênero, que devem ser trabalhadas de forma apropriada desde as etapas iniciais de ensino com vistas à modificação da atual situação das mulheres na ciência. [...]

Fanny Tabak (2006) aponta como possíveis ações para o estímulo da participação das mulheres na ciência: o incentivo à ciência em si; uma educação básica de qualidade, com a consciência de gênero, sem excluir as meninas; a garantia de creches e de serviços de cuidado para as crianças em congressos; subsídios de reinserção de mulheres que tenham se desvinculado da atividade científica por motivos familiares; sistemas de cota para mulheres nos financiamento de projetos e bolsas de estudos no país e no exterior, dentre outras ações.



Fonte: TAVARES, A. S.; PARENTE, T. G. (adaptado). Anais... III. Simpósio Gênero e Políticas Públicas. Universidade Estadual de Londrina, 27 a 29 de maio de 2014. Disponível em: http://www.uel.br/eventos/gpp/pages/arquivos/GT6_Ariane SerpeloniTavares;Temis Gomes Parente.pdf. Acesso em: 10 fev.2022.

Texto III

Pesquisadoras revelam os desafios das mulheres para fazer ciência

Como meta para o desenvolvimento sustentável, a Assembleia Geral da ONU definiu o dia 11 de fevereiro como o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, buscando incentivar o acesso e a participação feminina de forma igualitária. Mas ainda assim, apenas 30% das estudantes que ingressam na universidade escolhem carreiras relacionadas ao STEM – sigla em inglês para ciência, tecnologia, engenharia e matemática.

Para Maria Arminda do Nascimento Arruda, socióloga, coordenadora do Escritório USP Mulheres, “ser mulher implicou que eu tivesse uma profissionalização mais tardia. E como mulher e mãe, minhas experiências internacionais foram limitadas. Fui a segunda titular da história da Sociologia, muitos anos depois da primeira, que era a professora Eva Blay. E a pergunta que fica é: por que as mulheres não chegaram lá? Isso tem uma profunda relação com o gênero. A sociologia, como as carreiras, no geral, nas universidades, são masculinas. Quando aparece uma mulher dirigindo uma instituição dominantemente masculina, aquilo vira um exemplo de celebração. Mas é preciso ver quantas chegaram lá! Temos que ter consciência de que são exceção, não pode ser usado como um índice de ascensão feminina. Na educação de meninas, ainda há uma antiga ideia de que as meninas não servem para matemática ou filosofia. Basta ver a Filosofia da própria Universidade: são duas professoras entre quase 40 homens. Isso tem que mudar! Essa data [11 de fevereiro] é importante, porque marca um processo de educação. As humanas, por exemplo, são tratadas como dispensáveis, mas os fenômenos que vemos hoje com a pandemia, apenas as ciências humanas e estudos interdisciplinares conseguiram explicar: as desigualdades sociais, o efeito da pandemia sobre o coletivo, as formas de preconceito, a questão do gênero. Na biologia, os estudos entre os primatas observavam conflitos e disputas de território. Quando as mulheres começaram a entrar em massa, passou-se a observar cuidado com a cria, relações afetivas. A mulher cientista tem um enorme compromisso com o mundo, com a ruptura da desigualdade; este é um lugar a partir do qual ela pensa todas as outras desigualdades”. [...]



Fonte: TABITA, S. Pesquisadoras revelam os desafios das mulheres para fazer ciência. Jornal da USP (adaptado). Disponível em: https://jornal.usp.br/universidade/pesquisadoras-revelam-os-desafios-das-mulheres-para-fazer-ciencia/?msclkid=5fc772f7a55111ecb651f1735cb9bcf8. Acesso em: 10 fev.2022.

A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua vivência, redija um texto dissertativo-argumentativo, em norma padrão da língua portuguesa, sobre o tema: os desafios das mulheres na ciência brasileira, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para a defesa do seu ponto de vista.