Por uma convenção sociocultural e tradicional de sociedades como a brasileira, o aparelho genital com que nascemos é o que determina o gênero masculino ou feminino. E não apenas o aparato biológico, mas tipos de roupas, gestos, cores e comportamentos são convencionalmente colocados como adequados ou apropriados para homens ou para mulheres, e isso ocorre desde a mais tenra infância; claro, se considerarmos uma determinada tradição sociocultural. Porém, o gênero é algo construindo socioculturalmente como aponta Judith Butler, filósofa norte-americana que estuda e pesquisa questões sobre gênero e sexualidade. Para Butler (2010), o gênero é algo que se faz, não é algo que se é, propriamente, pois é um “fazer” mais do que um “ser”. Neste sentido, atrelar o gênero às características biológicas da espécie humana ou a outros aspectos que possam distingui-lo é desconsiderar a força da arbitrariedade cultural na organização do social e de nossa subjetividade.
(BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2010.)
Considerando esta concepção de Butler sobre gênero, avalie as seguintes afirmações:
I. As expectativas de gênero tradicionais são baseadas tanto na fisiologia humana como no modo como cada gênero em uma cultura deve se comportar.
II. Uma drag queen é um exemplo de subversão da estrutura sociocultural tradicional, pois contesta a convenção biológica e comportamental de gênero.
III. As roupas, o gestual e as condutas tomadas como masculinas ou femininas são atos de se fazer gênero; são parte de determinado arbítrio sociocultural.
IV. A identidade de gênero é um produto da essência dos seres humanos em suas culturas e daquilo que lhes é dotado pela própria natureza humana.
Está de acordo com o pensamento de Butler somente o que consta em