Questão
Universidade Federal de Uberlândia - UFU
2008
1ª Fase
VER HISTÓRICO DE RESPOSTAS
4000137742
Por razões que nunca serão desvendadas inteiramente, Calabar muda de lado, em abril de 1632. Por ambição, desejo de alguma recompensa entre os invasores, convicção de que estes seriam vitoriosos ao final, ou ainda mesmo por supor que aqueles colonizadores trariam maiores progressos à terra que os portugueses - o fato foi que Calabar traiu seus antigos aliados.

Wikipédia. Acesso em 14/12/2007.

Em vez do dualismo maniqueísta bom/mau, herói/vilão, na trama do texto teatral Calabar: o elogio da traição, escrito por Chico Buarque e Ruy Guerra, a traição está enredada em um turbilhão de interesses políticos, econômicos, religiosos que complexifica o conceito de traição, expondo-o a ambigüidades. É como se a ficção se apropriasse de um fato histórico e o contasse mostrando outros ângulos, tornando plurais as interpretações, interrogando a história além das suas supostas evidências.

A leitura dessa obra sugere que as coisas não são tão simples, como pode fazer acreditar determinada visão histórica, conforme indica a caracterização da conduta de vários personagens.

As citações abaixo são extraídas de Calabar : o elogio da traição. Qual delas contraria a atuação do personagem no decorrer da ação dramática? 
A
“Pendurado num vice-versa a que me dava direito a condição de político e comandante”. (Nassau)
B
“Fica melhor acreditar que esses homens morreram porque eram desprezíveis [...] melhor esquecer que esses homens existiram”. (Bárbara) 
C
“Eu continuo sendo uma pessoa provisória. Mas essa pessoa recentemente resolveu pensar um pouco”. (Souto)
D
“Como bicho esquisito destas terras/Que pensa dum jeito impossível de pensar. Por que é que ele foi pra lá?” (Calabar)