Questão
Universidade Federal da Grande Dourados - UFGD
2015
Fase Única
VER HISTÓRICO DE RESPOSTAS
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Quem é esta senhora? - Perguntei a Sá.

A resposta foi o sorriso inexprimível, mistura de sarcasmo, de bonomia e fatuidade, que desperta nos elegantes da corte a ignorância de um amigo, profano na difícil ciência das banalidades sociais.

— Não é uma senhora, Paulo! É uma mulher bonita. Queres conhecê-la ?. . .

Compreendi e corei de minha simplicidade provinciana, que confundira a máscara hipócrita do vício com o modesto recato da inocência. Só então notei que aquela moça estava só, e que a ausência de um pai, de um marido, ou de um irmão devia-me ter feito suspeitar a verdade.

Depois de algumas voltas descobrimos ao longe a ondulação do seu vestido, e fomos encontrá-la, retirada a um canto, distribuindo algumas pequenas moedas de prata à multidão de pobres que a cercava. Voltou-se confusa ouvindo Sá pronunciar o seu nome:

— Lúcia!

— Não há modos de livrar-se uma pessoa desta gente! São de uma impertinência! disse ela mostrando os pobres e esquivando-se aos seus agradecimentos.

Feita a apresentação no tom desdenhoso e altivo com que um moço distinto se dirige a essas sultanas do ouro, e trocadas algumas palavras triviais, meu amigo perguntoulhe:

— Vieste só?

— Em corpo e alma.

— E não tens companhia para a volta? Ela fez um gesto negativo.

— Neste caso ofereço-te a minha, ou antes a nossa.

— Em qualquer outra ocasião aceitaria com muito prazer; hoje não posso.

— Já vejo que não foste franca!

— Não acredita?. .. Se eu viesse por passeio!

— E qual é o outro motivo que te pode trazer à festa da Glória?

— A senhora veio talvez por devoção? disse eu.

— A Lúcia devota!.. . Bem se vê que a não conheces.

— Um dia no ano não é muito, respondeu ela sorrindo

ALENCAR, José de. Lucíola. 12ª ed., São Paulo: Ática, 1988, capítulo II

“A resposta foi o sorriso inexprimível, mistura de sarcasmo, de bonomia e fatuidade, que desperta nos elegantes da corte a ignorância de um amigo, profano na difícil ciência das banalidades sociais”. O narrador caracteriza o sorriso de Sá como “mistura de sarcasmo, de bonomia e fatuidade”.

Nesse contexto, essas três características podem ser substituídas pelos seguintes sinônimos, na mesma ordem:
A
Zombaria, candura e presunção.
B
Ironia, bondade e zombaria.
C
Maldade, zombaria e honestidade.
D
Zombaria, candura e honestidade.
E
Sagacidade, candura e presunção.